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Como se faz um bom aluno

Edição de 08.09.2010 | Suplemento Regresso às Aulas
Todas as crianças são inteligentes e ser mau aluno não é sinónimo de incompetência, pode é resultar da falta de motivação e por isso é que estudantes muito maus podem passar a muito bons, garantem os especialistas. “As crianças só não gostam da escola quando a escola não gosta delas”, afirma o psicólogo Eduardo Sá, assegurando que “todas as crianças são inteligentes” e que os maus alunos são “sintoma ou consequência de factores educativos, familiares e de oportunidades”.O segredo para alterar percursos parece ser a motivação: “Quando as crianças sentem que alguém se interessa por elas e reconhece as suas capacidades, ficam motivadas. Todos nós só nos sentimos motivados quando estamos a ganhar”, alerta Eduardo Sá.Pedro Rosário, investigador da Escola de Psicologia da Universidade do Minho, explica que “a motivação não existe à cabeça, gera-se pela cumplicidade com os conhecimentos” e para a alcançar, às vezes, é preciso trabalho acrescido. O especialista lidera um grupo responsável por projectos de desenvolvimento de competências (disponíveis em www.guia-psiedu.com) e explica que as pessoas “têm vários níveis de competências” que precisam de desenvolver a velocidades diferentes.“A competência é como se fosse um músculo, desenvolve-se. Há alunos que conseguem aprender determinada coisa numa hora e outros que precisam de quatro. É como no treino físico”, sublinha. Assim, “os maus alunos que passaram a ser bons já tinham a competência, mas não estava desperta a apetência, ou porque as matérias não estimulavam ou porque os professores não eram motivadores”.Álvaro Almeida Santos, ex-presidente do Conselho de Escolas, professor há 27 anos, considera que um aluno com uma boa aprendizagem nos dois primeiros anos de escolaridade, “normalmente mantém-se motivado nos restantes”. Quando essa base não existe, os problemas aparecem na transição para o terceiro ciclo, “bastante mais exigente”, e “se o aluno não tem capacidade para trabalhar, a adaptação é difícil”. Com um “apoio próximo e diferenciado”, a escola consegue, por vezes, fazer a diferença, sempre com o apoio da família, que deve “encorajar, não recriminar e responsabilizar”. “Quando o aluno encontra uma zona de desenvolvimento próxima consegue cumprir determinados objectivos. Motiva-se e fica preparado para outros objectivos e possibilidades”, refere o docente.Para resolver o insucesso escolar, Luís Picado, especialista em Psicologia da Educação, defende “uma escola diferente”, formada por professores, pais e outros técnicos (educadores sociais, animadores socioculturais e psicólogos). “Acredito num trabalho transdisciplinar, onde as pessoas pensam em conjunto sobre os problemas e soluções, e no entendimento de uma escola comunidade. Só as escolas apelativas para os alunos e famílias podem promover o sucesso educativo”, refere o autor do estudo “A Indisciplina em Sala de Aula” e do livro “Ansiedade na Profissão de Docente”.Referindo que “está provada a importância da motivação na aprendizagem e da falta da mesma no insucesso escolar”, Luís Picado alerta que “a habilidade” nesta matéria “consiste em promover os motivos certos que conduzam o aluno a agir, e a agir bem”.

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