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Primeiro dia de aulas causa nervoso miudinho às crianças e aos pais

Entrada no mundo das responsabilidades e de ruptura em relação à família

O ano lectivo 2010/2011 arranca segunda-feira no ensino básico e secundário. Para muitas crianças é a entrada num mundo novo. Para muitos pais é também uma nova realidade que se apresenta. Um especialista em Filosofia da Educação, Adalberto Dias de Carvalho, deixa alguns conselhos.

Edição de 08.09.2010 | Suplemento Regresso às Aulas
Ao entrarem para o 1.º ano naquele que será o primeiro dia do resto das suas vidas no mundo das responsabilidades, as crianças vivem momentos de ansiedade, mesmo se já passaram pelo jardim-de-infância. Mas também a família tem trabalho de casa para fazer.“É um momento importante desde logo para a criança, mas também para os pais. Isto é um aspecto que não podemos esquecer e por vezes não é valorizado”, defende o especialista em Filosofia da Educação, Adalberto Dias de Carvalho.Tudo tem a ver com a condição humana: se o novo nos atrai também nos inquieta, crianças e adultos incluídos. Mas o que parece simples pode complicar-se se a angústia e ansiedade dos pais for projectada nos filhos, o que acontece frequentemente, segundo o catedrático do Porto.“Quando os pais vêem os miúdos preocupados, inquietos, pensam que é uma preocupação apenas deles, mas muitas vezes está em conexão directa com o temor que os próprios pais têm e não identificam, mas as crianças assimilam de uma forma muito evidente”, refere.A família vê normalmente a entrada na escolarização “também como um momento de desapego, de desvinculação, de ruptura em relação à própria família e isso é sempre vivido de uma forma algo complexa, pouco tranquila”.“Era necessário os pais encararem ou identificarem as suas reservas, os seus temores para lidarem com eles bem para as crianças também lidarem correctamente”, sustenta.Daí que a entrada na escola tenha muito a ver com tudo o que se passa antes de lá chegar. Se a criança já esteve num jardim-de-infância e teve a experiência da ausência da família, a educadora terá um papel importante se lhe mostrar a escola nova e falar da transição de uma forma adequada, criando curiosidade. Se assim for, a transição pode ser mais suave.Mas mesmo nestes casos, a experiência do jardim-de-infância é mais tutelar e próxima do tipo familiar do que a que vão encontrar no 1.º ano do ensino básico.“A mudança, esta alteração de estatuto, de expectativas, vai criar comportamentos com alguma complexidade”, explica.Em casa, os pais devem ter o cuidado de falar com a criança sobre o que vem a seguir, prepararem com ela os materiais novos e criarem-lhe progressivamente autonomia, “um aspecto muito importante”.“Autonomia é uma coisa que se constrói juntamente com as famílias e que não seja apenas por revolta, por separação abrupta. Se for construída por pequenos gestos e atitudes (a comer, vestir e calçar, por exemplo), a criança vai enfrentar estes primeiros dias de uma maneira mais suave, mais natural”, afiança Adalberto Carvalho.Recordando Freud, e não querendo dramatizar, o especialista recorda que a educação se faz por frustrações. “Temos de nos habituar desde cedo a enfrentar frustrações porque a vida não é apenas isso, mas vai-nos proporcionar muito isso”.É “inevitável” a criança no primeiro dia de aulas sentir “o peso da ruptura, dos receios, das dúvidas e a frustração de não estar perto da família, da antiga educadora, dos antigos colegas”, mas o fundamental é que “perceba, sinta e saiba que quando chegar a casa vai ter oportunidade de conversar sobre o que se passou na escola” e que já tenha havido conversas antes, frisa.É igualmente aconselhável, as crianças verem os encarregados de educação a falar com os professores uns dias antes para se sentirem seguras.

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