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Aprender a montar e a tourear em Fátima

Aprender a montar e a tourear em Fátima

Associação Equestre Regional tem 15 anos de vida e cerca de 40 alunos

Planos não faltam aos responsáveis da associação. Um deles é construir uma pequena praça de toiros para fazer algumas garraiadas.

Edição de 15.09.2010 | Cultura e Lazer
Nasceu e cresceu ao longo dos últimos 15 anos, fruto de muitos sonhos e ambições, mas a Associação Equestre Regional de Fátima sobrevive hoje à custa dos esforços do professor de equitação e cavaleiro tauromáquico, João Zuquete, e da presidente da instituição, Denise Callebaut. Quando chegou ao espaço há oito anos, lembra João Zuquete, “isto estava praticamente fechado, não havia dinheiro, poucos cavalos, as pessoas tinham saído e leccionavam-se cerca de 20 aulas por mês”. Actualmente, 17 cavalos usufruem do espaço e dá-se uma média de 120 aulas mensais. O arranque da associação começou a nível particular, com um dos impulsionadores a dar aulas em sua casa. “Pensaram então em alargar os horizontes e tiveram o apoio do então presidente da Câmara Municipal de Ourém, David Catarino”. O terreno foi cedido em parte pela autarquia e por particulares e as instalações começaram então a ser levantadas em Vale de Cavalos, na freguesia de Fátima. O nome da terra “foi uma coincidência”, comenta.A associação sem fins lucrativos, “só contamos com o apoio de alguns”, acabou por passar por uma fase mais complicada há cerca de uma década. Quando João Zuquete entrou no projecto procurou dinamizá-lo “ao máximo”, invertendo a tendência. “Mas é complicado porque não há recursos. Tem sido a Denise Callebaut quem tem agarrado no projecto e feito tudo para que isto se mantenha”. Para além das aulas de equitação, o grande apoio da associação vem da câmara municipal para as aulas de hipoterapia, as quais são frequentadas por cinco associações para pessoas com deficiência do concelho. O espaço funciona ainda como “hotel” para cavalos, onde lhes é dado alojamento e as condições necessárias ao seu cuidado. “O aluno mais velho que tive começou a aprender aos 65 anos”, diz, indicando que recebe alunos desde os quatro anos de idade. Para dinamizar a associação, tem-se procurado abrir o leque de ofertas e actividades, ainda que nem sempre com bons resultados. Na Associação Equestre Regional de Fátima é possível, por exemplo, ter aulas de toureio. “Há miúdos que gostam e que têm tentado, mas muitos não conseguem dominar o medo”, refere. A associação tem ainda preparados alguns espectáculos com cavalos, como um carrossel, fazendo exibições sempre que são solicitados. “É complicado porque exige muito treino”, refere. Mas “torna-se incomportável” porque nem sempre os pedidos vêm acompanhados dos devidos apoios. “Não vamos para mais longe ou mais vezes porque as pessoas não pensam que há encargos, há despesas a pagar”. “Felizmente não temos muitas dívidas, temos as coisas mais ou menos controladas e temos tido tudo regularizado. Todos os anos temos feito obras, mantendo assim a casa aberta”, acrescenta João Zuquete.Planos é coisa que não falta a João Zuquete, mas que terão que aguardar melhores dias. Um deles seria construir uma pequena praça de toiros para fazer algumas garraiadas. Afinal, “esta é uma região que aprecia as touradas”.Alunos entre os 4 e os 70 anosDos alunos inscritos na associação alguns participam no Campeonato Nacional de Gincanas. “As provas em que participamos são todas suportadas por nós e pelos alunos”, refere, indicando que os custos são partilhados com a Associação Nacional de Turismo Equestre (ANTE). “Montar é como andar de bicicleta. Começa-se com duas rodinhas, depois uma e depois já se salta. Não é difícil, mas têm que se cumprir regras”, diz.De momento, a instituição conta com cerca de 40 alunos, entre os 4 e os 70 anos. “O que vejo é que normalmente as pessoas têm a vida tão ocupada, que procuram um escape”. Este é um desporto muito completo e enquanto estão a cavalo não pensam em mais nada”, nota. “Até penso que a equitação devia fazer parte do dia-a-dia dos portugueses, é muito completo, quer a nível físico como psicológico”. Uma aula de equitação custa cerca de 11 euros. João Zuquete compara: “Uma explicação de matemática são cerca de 25 euros. Não é assim tão caro, tendo em conta que temos as despesas com os tratadores”.A afluência às aulas vai variando. “Tenho alguns alunos que estão cá há oito anos, outros que vão desistindo, outros que vão para cursos profissionais ligados à equitação”. A inscrição é gratuita, mas há um seguro anual de 27 euros e tem que se pagar um cartão de 10 aulas. “A associação só garante os cavalos e o capacete. Cada pessoa tem que trazer o seu material”. O estatuto de sócio traz outras vantagens, explica. Actualmente existem 30 sócios. Estes são nomeados por indicação de um sócio e a decisão tem que ir à direcção. Por 32 euros anuais ganha-se, por exemplo, descontos nas aulas. “As Associações de Tempos Livres (ATL) têm vindo passar algum tempo de férias aqui, o que no fundo serve também para divulgar o espaço”, explica. “Temos facebook, um blogue e procuramos divulgar-nos através das provas em que participamos”. O espaço possui “das melhores condições da região” para receber cavalos, sublinha. “Temos tudo o que é necessário para a prática da equitação”, desde picadeiro exterior e coberto e lugar para 25 cavalos. “Os cavalos têm um feitio muito especial, é preciso saber lidar com eles, pois eles podem magoar os donos”, reflecte. “O que eu noto é que as pessoas cada vez têm menos dinheiro e optam por ter o cavalo em casa e não se apercebem o quanto é difícil tratá-los. Acabam por tratá-los como cães”. Conforme sublinha, bem feitas as contas, paga-se pouco mais e têm-se muito menos preocupações se os cavalos forem deixados na associação.
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