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José Torres - 1938-2010 – uma certa memória 11 anos depois

Edição de 15.09.2010 | O Mirante dos Leitores
Faz hoje (9.9.2010) 44 anos que come-cei a trabalhar. Ganhava 900 escudos por mês e descontava 18 escudos para o Fundo de Desemprego, 9 escudos para o Sindicato, 25 tostões para a Caixa de Abono de Família e 25 tostões para o Grupo Desportivo. O curioso é que tinha 15 anos e pagava quotas ao Sindicato mas só podia ser sócio aos 18 anos e se ficasse no desemprego não recebia nada. No mesmo dia recebi a edição do jornal O MIRANTE que reproduz a en-trevista que fiz a José Torres em 16-6-1999 na sua casa da Amadora. No essencial, além de recordar a carreira de jogador e de treinador, o bom gigante explica que na Segurança Social só constam os descontos efectuados entre 1953 e 1959 na empresa Claras de Torres Novas. Tudo o resto (Benfica, Setúbal, Estoril Praia, Estrela da Amadora, Varzim, Boavista e Portimonense entre outros) não consta e voou dos talões de ordenado para o vazio. Estes os factos. Daí a frase de José Torres: «Para a Segurança Social eu não existo como jogador de futebol». Filho de Francisco Torres (que jogou no Carcavelinhos) e sobrinho de Carlos Torres (que jogou no Torres Novas e no Benfica) José Torres cumpriu um fado triste que foi jogar no Benfica doze anos e nunca ter tido um ordenado maior do que 4 mil escudos mas mais grave foi os descontos terem desaparecido entre os Clubes e a Caixa – como então se dizia. Este dia 9 de Setembro fica como uma data especial na minha vida. Passaram 44 anos sobre o meu primeiro dia de trabalho e sobre os meus descontos para nada. Passaram 11 anos sobre a entrevista que fiz a José Torres sobre os seus descontos para nada. Moral da história: é por sermos portugueses. Não há remédio. José do Carmo Francisco

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