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Parasita detectado em alguns peixes na barragem de Montargil não é perigoso para consumo humano

Direcção de Veterinária diz que a “ligula intestinalis” nos abletes não é transmissível aos humanos

O assunto foi espoletado por Silvino Bernardo, um pescador de Santarém que, como muitos outros da região, costuma pescar na barragem de Montargil.

Edição de 15.09.2010 | Sociedade
O parasita detectado em peixes da espécie ablete, também designado de “alburno”, na albufeira de Montargil, distrito de Portalegre, não representa um perigo para a saúde pública em caso de ingestão e consumo.A garantia é dada pela Direcção Geral de Veterinária, autoridade sanitária veterinária nacional, após exames parasitológicos realizados pelo laboratório de patologia do IPIMAR do Instituto Nacional de Recursos Biológicos (INRB/IPIMAR), em articulação com o Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente da GNR, na albufeira de Montargil, no seguimento de questões colocadas por O MIRANTE.As dúvidas sobre os efeitos do parasita foram espoletadas por um pescador amador de Santarém. Silvino Bernardo costuma ir pescar a Montargil e numa das ocasiões, a 21 de Agosto, depois de ter ouvido falar no problema levou quatro abletes para casa e analisou-os. “Amanhei-os e tirei deles sete bichos daqueles. Tinham a forma de esparguete, com 15 a 20 centímetros de comprimento. Deitei-lhes água e começaram logo a mexer-se”, conta. O pescador disse a O MIRANTE que desde essa altura deixou de consumir aquele peixe, como medida de precaução, e enviou a informação ao SEPNA (Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente). A 6 de Setembro, o laboratório de patologia do IPIMAR do Instituto Nacional de Recursos Biológicos (INRB/IPIMAR) recolheu abletes e realizou exames parasitológicos que diagnosticaram a presença do parasita ligula intestinalis. Segundo o relatório, aquela parasitose não é zoonótica (não é transmissível directa ou indirectamente dos animais ao homem), não existindo, por isso, perigosidade para a saúde pública, uma vez que o homem não intervém no seu ciclo biológico. Apesar disso é reconhecido que o seu aspecto repugnante induza à não utilização para consumo dos peixes infectados.O MIRANTE acompanhou Silvino Bernardo numa pescaria à beira Tejo, em Santarém, durante a qual apanhou uma série de peixes da mesma espécie que não estavam infectados com o parasita, o que o leva a supor que o problema está circunscrito à barragem de Montargil. A referida barragem fica na ribeira de Sor que nasce no Alentejo, na freguesia de Alagoa, passa na cidade Ponte de Sor e na freguesia de Montargil. Ao longo do seu curso a ribeira recebe vários afluentes. O seu percurso é interrompido pela barragem de Montargil e, na freguesia do Couço, junta-se à ribeira da Raia, formando o rio Sorraia.De acordo com a informação prestada a O MIRANTE pela Direcção Geral de Veterinária, a ligula intestinalis é bastante comum nos peixes de água doce, que funcionam como hospedeiro intermediário. É o caso do ablete ou alburno. Os peixes infectam-se a partir de larvas presentes no plâncton de que se alimentam. Nos peixes parasitados, as larvas evoluem e infectam peixes predadores ou aves que se alimentam dos hospedeiros intermediários. Espécie introduzida por pescadores desportivos em PortugalO ablete é um peixe conhecido desde o século XIX, presente em grande parte da Europa. Em Portugal é reconhecida a sua existência, mas ainda em escasso número. Foi recentemente introduzido por pescadores desportivos na barragem do Caia e adaptou-se bem, passando a ser encontrado em muitos rios portugueses. De tamanho pequeno, aspecto prateado, o ablete costuma pesar o máximo de 50 gramas e ter comprimento de 15 centímetros. Habita em ribeiras e albufeiras que possuem águas calmas, claras e bem oxigenadas. O ablete alimenta-se fundamentalmente de larvas e insectos que vão caíndo na água.

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