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Um primeiro dia de aulas que fica para a história

Um primeiro dia de aulas que fica para a história

Cerca de uma centena de jovens de Constância vão utilizar o comboio para chegar à escola

Com o encerramento da ponte rodoviária sobre o Tejo, os ministérios das Obras Públicas e da Educação criaram um comboio especial para os jovens residentes na margem sul chegarem à escola em Constância.

Edição de 15.09.2010 | Sociedade
A viagem começou pelas 07h15 de segunda-feira, com dois autocarros a recolherem os jovens estudantes da zona sul do concelho de Constância, transportando-os até à estação de Santa Margarida. A passagem para o outro lado do Tejo, rumo à escola na sede de concelho, deu-se num comboio criado para o efeito, que saiu pelas 07h50. Cerca de 10 minutos depois, mais de meia centena de jovens apanhavam na margem norte, em Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, um autocarro lotado para os levar à Escola Básica e Secundária Luís de Camões, em Constância. Ao todo, uma hora de caminho e muita excitação no primeiro dia de aulas, que marcou também a estreia do transporte alternativo encontrado para fazer face ao encerramento do tabuleiro rodoviário da ponte sobre o Tejo entre Constância Sul e Praia do Ribatejo. Serão cerca de cem os estudantes que realizarão o mesmo percurso provavelmente nos próximos meses. Com cara de sono mas boa disposição, Ana Rita, 18 anos, natural de Vale do Mestre, freguesia de Santa Margarida, a frequentar o 12º ano, revelou ter-se levantado pelas 06h30 para poder chegar à escola. “É um bocado cansativo”, referiu, já quase a chegar ao destino, comentando que noutras ocasiões ter-se-ia levantado já depois das 07h00. Não tem, contudo, outra forma de chegar às aulas. “Vou continuar a ir de comboio até vir outro transporte”.Se Ana Rita comentou ter sido uma viagem “muito tranquila”, em que aproveitou o tempo para olhar para a paisagem, a mesma opinião não foi partilhada pelo colega, Nuno Martins, 14 anos. Natural da Portela, a frequentar o 8º ano, preferia que a viagem tivesse demorado mais tempo. O percurso passou-se na conversa com os colegas.Para poder chegar às aulas, Nuno também terá que se levantar pelas 06h00, mas refere que não acha ser muito cedo. Sem alternativas para transporte, vai continuar a apanhar o comboio todas as manhãs até que os automóveis tornem a poder passar pela ponte. No primeiro dia de aulas, o autocarro escolar que fez o percurso entre a estação de Praia do Ribatejo e a Escola Luís de Camões foi cheio, com alguns jovens sentados no chão e outros no colo dos colegas. Uma situação que deve ser alterada, com a colocação de mais um autocarro à disposição no dia seguinte para encaminhar os cerca de cem alunos previstos para o estabelecimento de ensino. Segundo o presidente da Câmara Municipal de Constância, Máximo Ferreira (CDU), “como é o primeiro dia de aulas, alguns pais trouxeram os filhos à escola. Amanhã é óbvio que tal não aconteça”, elevando assim para cerca de 100 os estudantes a realizar a travessia.Máximo Ferreira acompanhou a primeira viagem de comboio do ano dos alunos da margem sul. “Não podemos dizer que correu mal, dentro das atribulações que já se esperavam”, próprias ao início do ano lectivo. Responsáveis da CP acompanharam a viagem, zelando para que tudo corresse dentro da ordem, mas este é “um ritmo que vai ter que se aprender”.Para já, os dois autocarros que a Câmara de Constância alugou para fazer o transporte dos estudantes vão ter um custo de 600 euros diários para a autarquia. “Um peso insuportável” para o município, mas que é a opção possível até que se encontre uma alternativa.“Uma parte da inspecção à ponte foi concluída no sábado” e existe a possibilidade de em meados de Outubro já existir uma decisão quanto ao seu futuro. Máximo Ferreira acrescenta que a autarquia sugeriu que, “no caso de não haver incompatibilidade”, a travessia possa ser aberta a veículos ligeiros, viaturas de socorro e autocarros escolares. “Temos esperança que a hipótese se torne viável”, mas vai depender das conclusões da inspecção à ponte pela Estradas de Portugal.
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