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Fernando Matos

Fernando Matos

44 anos, professor, Sardoal

Nasceu a 17 de Junho de 1966 em Abrantes e passou grande parte da sua vida em Lisboa. Casado e com dois filhos, vive no Sardoal e é director do Agrupamento de Escolas do Sardoal desde Junho de 2009. Terminou a licenciatura em Física (via ensino) em 1990 e, quando cumpriu o serviço militar obrigatório, já era professor efectivo. Dá bastante relevo à vida pessoal e costuma dedicar os fins-de-semana à família ou a tratar do jardim, passatempo que funciona como uma espécie de terapia.

Edição de 15.09.2010 | Três Dimensões
Antes de entrar para a escola, passava o tempo na escola. Estou ligado a uma família de professores. Os meus irmãos são professores e a minha mãe também era professora primária numa escola, em Lisboa. Estou desde sempre ligado a este mundo porque passava muito tempo na escola dela. Quando era criança quis ser bombeiro ou polícia, como quase todos os meninos. A escola onde a minha mãe trabalhava era ao lado de um quartel de bombeiros e lembro-me de assistir aos exercícios que faziam com as escadas. Decidi ser professor e não me arrependo. Sou licenciado em ensino da Física e a minha habilitação já tinha em conta o ensino. A decisão teve que ser tomada, já na faculdade, quando tive que optar pelo ramo do ensino ou o ramo científico de investigação. Mas o ensino era um bichinho que andava cá dentro porque cresci neste mundo e aliciava-me. Quando concorri à faculdade, gostava de muita coisa. Concorri a Matemática, a Veterinária, Agronomia e acabei por entrar na minha sexta opção.Nasci em 1966, um ano grande para Portugal. Costumo dar sempre estas referências: Inauguração da ponte 25 de Abril (em Lisboa) e Portugal foi ao Campeonato do Mundo nesse ano e ficou em terceiro lugar. Nasci em Abrantes mas tenho raízes em Mação, onde passei e cresci muitos anos. Mas costumo dizer que sou um cidadão do mundo. Fiz a minha escolaridade em Lisboa, desde a escola primária até me licenciar. Terminei o curso em 1990 e fui logo dar aulas. Já era professor do quadro na Escola de Santo António, no Barreiro, quando tive que cumprir o serviço militar obrigatório, durante oito meses. Fiz a recruta no Regimento de Artilharia de Costa e andei dividido entre a Fonte da Telha e Alcabideche, Cascais. Depois da escola do Barreiro, saltei para Mação. Uma decisão ponderada mas onde tive que arriscar um pouco. Ambicionava uma vida mais calma.Vir dar aulas para Mação foi um passo de independência. Vim viver para a casa dos meus pais, ainda em solteiro, e leccionei no antigo colégio de Mação durante dez anos. Durante esse período, estive quatro anos como presidente do Conselho Directivo. Entretanto casei, houve necessidade de dar seguimento a essa etapa e surgiu o Sardoal. A minha mulher é de Viana do Castelo. Conhecemo-nos por aqui, fruto de um encontro da vida. O trabalho de dirigente, apesar de muito trabalhoso, alicia-me. Estou no Agrupamento de Escolas do Sardoal desde o ano lectivo 2001/2002 e sou director desde 25 de Junho de 2009. Queremos criar uma dinâmica no agrupamento que vá de encontro às aspirações dos alunos e dos professores. Procurámos propiciar um bom clima de trabalho. Falo no plural porque a direcção não é só uma pessoa, é toda uma equipa. Procuramos que haja transparência e partilhas nas decisões tomadas. Dirigir um agrupamento de escolas desta dimensão exige muita organização. Trabalham no agrupamento, para além dos funcionários, cerca de 84 professores e 620 alunos. O planeamento é essencial para que a nossa missão seja facilitada. Temos que acreditar nas pessoas, dando-lhes autonomia, para facilitar a nossa missão. Chego cedo à escola, cerca das 08h30, até porque os meus dois filhos estudam cá e saio quando eles terminam as aulas embora, muitas vezes, costume trabalhar em casa. Antes da vida profissional está a nossa vida pessoal. Costumo dizer isto aos meus colegas e a mim aplica-se também. Só podemos estar bem no nosso trabalho se a retaguarda estiver estável. Por isso, procuro reservar os fins-de-semana para a família. Os dias úteis são de trabalho e compromisso. Já não dou aulas mas nunca vou deixar de ser professor. Gosto de reencontrar os nossos alunos e ver que estão orientados na vida, independentes e pensar que contribuímos para isso. Ser professor é uma experiência enriquecedora. Gosto de tratar do meu jardim ou da pequena horta que tenho em casa. É um passatempo que funciona como uma espécie de terapia. Gosto de andar de bicicleta e fazer todo-o-terreno. Vivo no Sardoal, partilho das suas festas e tradições, mas sinto necessidade de fazer uma fuga, de vez em quando, para os grandes centros urbanos. Não tenho lemas de vida definidos mas se tiver que indicar um, dadas as circunstâncias actuais, passa por “Viver um dia de cada vez”. Estou de bem com a vida e considero-me uma pessoa com muita sorte, tanto a título pessoal como profissional.Elsa Ribeiro Gonçalves
Fernando Matos

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