uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
30 anos do jornal o Mirante
Homem que matou ex-namorada em pastelaria começou a ser julgado em Santarém

Homem que matou ex-namorada em pastelaria começou a ser julgado em Santarém

Filho de Alice Duarte contou ao tribunal que a mãe recebeu várias mensagens com ameaças

Diogo Moita, filho da vítima, disse que a mãe andava com medo e que a partir de determinada altura começou a ter o pressentimento de que António Sousa a ia matar.

Edição de 22.09.2010 | Sociedade
O ex-namorado de uma das sócias da pastelaria Real, em Santarém, que foi morta a tiro por este no estabelecimento, começou a responder na terça-feira no Tribunal de Santarém. O arguido, António Sousa, pediu para prestar declarações no início da audiência à porta fechada, o que foi aceite pelo colectivo de juízes presidido por Joana Magalhães. A audição decorreu durante cerca de duas horas e das quatro testemunhas previstas serem ouvidas apenas prestou testemunho o filho da vítima, que disse ao tribunal que a mãe foi ameaçada várias vezes pelo arguido. Diogo Moita, de 19 anos, foi ouvido sem a presença do arguido por se sentir inibido e por já ter sido ameaçado por ele. Contou ao tribunal que António Sousa enviou mensagens de telemóvel quase diárias à sua mãe, Alice Duarte, a ameaçá-la depois de ela ter acabado com a relação. Em algumas o arguido dizia que ou ela ficava com ele ou havia sangue. O filho da vítima contou também que no dia 31 de Outubro de 2009 o arguido ameaçou Alice com uma faca e uma pistola e obrigou-a a ter relações sexuais. Disse ainda que já tinha sido alertada para a situação a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) e foi apresentada queixa na PSP. Relatou ainda ao tribunal que em determinada altura o arguido foi apanhado pela Polícia com uma arma de fogo e que este caso foi para tribunal. Realçou que a partir desse momento o arguido deixou de mandar mensagens ameaçadoras e passou a enviar mensagens para Alice com pedidos de desculpa. Acrescentou que a mãe não estava a acreditar no arrependimento do ex-namorado e que continuava com medo. Em certa altura, contou, a mãe começou a ter o pressentimento que António a ia matar. Recorde-se que Alice Duarte foi morta a tiro de caçadeira na manhã de segunda-feira, dia 23 de Novembro de 2009, tinha na altura 46 anos. A vítima estava a trabalhar quando cerca das 10h00 foi alvejada. O homicida tentou depois suicidar-se. Foi transportado para o Hospital de Santarém e posteriormente foi transferido para o Hospital de Torres Novas com ferimentos na zona toráxica. O crime ocorreu dentro da pastelaria situada na Rua Engº António Antunes Júnior, perto do antigo quartel dos Bombeiros Voluntários de Santarém. Na altura um dos sócios do estabelecimento, Agostinho Pereira, entretanto falecido, disse a O MIRANTE que inicialmente não se tinha apercebido do que se tinha passado. “Estava a varrer a cozinha e ouvi um tiro. Perguntei à Alice o que se tinha passado, se tinha rebentado o fogão. Entretanto vi-a no chão e o homem levantar-se, porque estava escondido, a apontar-me uma arma. Eu disse que ele era um malandro e ele disse que tinha de fazer justiça e que eu também as comia. Nessa altura baixei-me e fugi para a rua para ir pedir ajuda. Foi quando ouvi o segundo tiro mas já não vi nada”. No momento em que António Sousa entrou na pastelaria para matar a ex-companheira, por alegadamente não ter aceitado a separação, encontrava-se uma cliente ao balcão e duas nas mesas. Uma delas assistiu a tudo e acabou encaminhada para o hospital em estado de choque quando chegaram os bombeiros.
Homem que matou ex-namorada em pastelaria começou a ser julgado em Santarém

Comentários

Mais Notícias

    A carregar...