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Nunca é tarde para aprender

Vinte e uma mulheres voltaram à escola para se valorizarem profissionalmente

Depois de um dia de trabalho, frequentam um curso profissional que lhes dá o 12º ano e a carteira profissional de técnica de acção educativa. Alguns dos trabalhos feitos no âmbito da formação estão expostos na Escola Superior de Educação de Torres Novas.

Edição de 22.09.2010 | Sociedade
São 21 estudantes, com idades entre os 20 e os 57 anos, todas com uma actividade profissional ligada ao acompanhamento de crianças e jovens. Desde 2008 aliam a vida activa ao ritmo de estudante, entre as 19h30 e as 23h30, num curso profissional de Acção Educativa na Escola Superior de Educação de Torres Novas. Entre as mais velhas, regressar aos estudos não tem sido fácil. A formação vai dar-lhes o 12º ano e a carteira profissional de técnica de acção educativa.Francisca Dias, 47 anos, residente no Entroncamento, trabalha há cerca de 15 anos num infantário. “Sinto que precisamos de ter informação para poder dar mais”, afirma, explicando a razão porque decidiu iniciar o curso. No entanto, terminada a formação, em Dezembro, não pensa continuar a estudar. “Já estou velha”, comenta. “A idade já é uma limitação. Há tanta gente mais nova com todo o género de cursos…”. A rotina diária é “muito cansativa”. Inicia o dia por volta das 10h00 e só termina às 18h00, seguindo depois para o curso. Para ter ânimo para continuar é preciso “gostar muito de aprender”, partilhando o que sabe com o grupo. “Porque todas trabalhamos na mesma área e é bom pertencermos a um grupo, faz-nos sentir vivas”.Dona de uma creche desde há dois anos, Teresa Tomé, 50 anos, de Torres Novas, refere que sempre gostou de crianças e desejou ter-se formado em educadora de infância. “Como abri a creche, senti necessidade de aprender”. Após um dia de trabalho que começa pelas 07h30 e onde faz de tudo, ir para a escola nem sempre foi fácil e chegou a pensar em desistir. “É cansativo porque trabalhamos o dia inteiro, mas a nível pessoal é gratificante. O grupo é unido, o que tem ajudado a manter-me”. Aprendeu um pouco de tudo, desde jogos a canções, o que a tem ajudado a ela e às que consigo trabalham. Uma actividade onde é necessária muita paciência e “sobretudo gostar muito de crianças”. “Eu já estava parada há muito tempo, o curso ajudou-me a melhorar na escrita, na interpretação. Evoluí muito”, declara. Com os anos, “perde-se um bocado do ritmo da leitura, é diferente. Sinto-me hoje diferente a esse nível, mesmo nas reflexões”. Por isso não cedeu ao cansaço e ao stress e continuou a formação. “Temos que nos esforçar, o curso não é dado de mão beijada”. “Acho que não devemos parar, nunca é tarde para aprender”.Sendo a mais velha na formação, Emília Hipólito, 57 anos, residente no Entroncamento, trabalha como auxiliar com jovens do 2º e 3º ciclos numa escola de Riachos, Torres Novas. Decidiu regressar aos estudos “para enriquecer os meus conhecimentos, o saber não ocupa lugar e a idade não conta”. Reconhece que aguentar o esforço do trabalho e do estudo após uma certa idade depende da personalidade de cada pessoa, mas como sempre gostou de aprender e na devida altura não teve essa possibilidade, “tenho aproveitado as oportunidades”. “No meu tempo, as meninas eram para estar na costura e não a estudar”, lembra.A formação tem-na ajudado a perceber melhor os mais novos. “Apesar de eu lidar mais com adolescentes, sinto que nos acham como segundas mães e pedem o nosso auxílio”. Para a universidade já não pensa seguir e a procurar mais formação será na área do inglês. “Posso mudar de ideias”, refere rindo. Para voltar a estudar “é preciso muita força de vontade e alguma capacidade”. “Achava que não estava a fazer nada em casa, assim preencho o meu serão”.Alunas expõem trabalhos em Torres NovasNo dia 13 de Setembro iniciou-se no átrio da Escola Superior de Educação de Torres Novas uma exposição com os trabalhos manuais das formandas. O curso “excedeu as expectativas”, comentou a mediadora, Cátia Pereira. Estas mulheres “são um exemplo de vida e um exemplo académico para todos os estudantes, porque todas trabalham sete horas diárias e ainda vêm estudar”.

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