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Ponte de Água Boa continua por reconstruir

Ponte de Água Boa continua por reconstruir

Agricultores de Matas, Ourém, arriscam passar na travessia onde um dos pilares ruiu

Existe já um projecto para a nova ponte, que inclui um acesso a Outeiro das Gameiras.

Edição de 22.09.2010 | Sociedade
“É um perigo”, afirmam os agricultores que em Matas, Ourém, possuem as suas terras junto da velha ponte de Água Boa. O pilar de um dos lados da ponte ruiu com a força das águas da ribeira, em Outubro de 2005, e o tabuleiro em cimento ficou apoiado nos pedregulhos soltos da margem. A situação tem sido remediada pela população, que vai colocando algumas pedras e brita para suportar a estrutura, mas todos reconhecem que é necessária uma solução urgente. Em Fevereiro, o presidente do município, Paulo Fonseca (PS), reconheceu a necessidade das obras e anunciou que a ponte seria reconstruída, mas o problema mantém-se. “Passo por lá porque o tractor é leve, se fosse pesado não passava”, afirma Joaquim Santos, residente em Matas, cujo terreno de trigo fica mesmo ao lado da ponte de Água Boa. Assim como ele, todos os seus vizinhos continuam a utilizar o tabuleiro, ainda que reconheçam o perigo. Alguns tractores com carga preferem fazer o caminho alternativo, que obriga a um desvio de alguns minutos e a apanhar a estrada principal em alcatrão. Mas muitos sujeitam-se, mesmo com grandes cargas, preferindo ir testando a resistência da estrutura e chegar mais depressa ao destino.Joaquim Santos refere que basta chegar um Inverno mais rigoroso para a ponte ceder. Com a ajuda do entulho que se vai juntando em dias de temporal, o mais certo é a ribeira inclusive mudar o seu trajecto e correr no sentido dos terrenos agrícolas. “Isto já é um caminho velho, as pessoas têm por hábito usá-lo, sobretudo os que andam a pé, mas também passam motas”.A ribeira é que já não é a mesma de outros tempos, quase sem água e seca no Verão. “Foi uma das causas da queda do pilar”, explica. Há alguns anos, uma exploração de areias ilegal que existia na zona foi afundando cada vez mais a ribeira, desprotegendo os alicerces. Quando vieram os temporais em 2005, a força da água fez o resto. O problema é ainda mais antigo, aponta a esposa, Emília Ferreira. A ponte inicialmente era em madeira. Há cerca de 25 anos, quando foi colocado o tabuleiro de cimento, “não se fizeram os devidos alicerces”, aproveitando-se o que já havia.O vizinho, João Ferreira, natural de Casal Menino, freguesia de Matas, refere a mesma necessidade. “Aquilo está seguro com a graça de Deus”. “Para quem dá valor à segurança, aquilo é um perigo”. Quando tem carga o agricultor prefere fazer o caminho alternativo pela estrada principal, referindo que demora cerca do dobro do tempo a chegar ao outro lado quando o podia fazer em linha recta. Mas são muitos os que passam pelo tabuleiro com tractores grandes e pesados. Os buracos que vão surgindo vão sendo tapados com pedras, refere. Segundo o presidente da Junta de Freguesia de Matas, Virgílio Dias (PSD), existe já um projecto para a nova ponte, que inclui um acesso a Outeiro das Gameiras, no topo do vale. “Quem anda a pé, passa por aqui”, afirma. Em Fevereiro, a autarquia trazia já um projecto que ia ser concluído, destacando-se aquela como uma “necessidade urgente”. Ficaram de fazer orçamentos. “Sei que o projecto está feito e pronto a ir a consulta, mas ainda não se avançou”.
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