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Vereador da cultura e vice-presidente do Turismo criticados no caso Lobo Antunes

Vereadora independente afirma que ausência do escritor era previsível de véspera
Edição de 22.09.2010 | Sociedade
A vereadora independente, Graça Costa, diz no seu depoimento sobre a não comparência do escritor António Lobo Antunes em Tomar, numa iniciativa da Entidade Regional de Turismo, que já na véspera era previsível o que iria acontecer. A autarca afirma não compreender porque o vice-presidente daquela entidade não cancelou o encontro. Quanto aos restantes inquiridos a maioria defende que o vereador da cultura, Luís Ferreira (PS) esteve mal ao chamar cobarde e armado ao pingarelho a Lobo Antunes e “pedantes” às pessoas que se deslocaram ao Café Paraíso para o falhado encontro com o escritor. Alguns chegam mesmo a defender a sua demissão. A Entidade Regional de Turismo e o seu vice-presidente, Manuel Faria, também não são poupados. E as críticas não dizem apenas respeito ao frustrado encontro com Lobo Antunes.António Freitas, 50 anos, jornalista “Dado o seu cargo não pode pensar e dizer aquilo que lhe apetece”Para António Freitas, 50 anos, jornalista em Lisboa mas residente em Ceras, Alviobeira, a história não está bem contada. “O Lobo Antunes a meter o rabo entre as pernas e a dar às de Vila Diogo??!! Isso não”, considera. Sobre o vereador da Cultura, Luís Ferreira, considera que foi pior a emenda que o soneto. “Está no seu direito de pensar o que quiser, mas dado o cargo que ocupa não pode dizer tudo aquilo que lhe apetece. O presidente da câmara devia ter-lhe retirado o pelouro. E a Assembleia Municipal, que tem um presidente ausente e empenhado em ser ministro, deveria ter reunido e aprovado uma moção de censura. Depois disso caberia ao Luís agir da forma que entendesse, já que é um político inteligente”.Em relação ao trabalho da nova Entidade Regional considera que Manuel Faria “está a dar uma volta à coisa” com acções promocionais da cidade e região mas esperava mais da super estrutura. Alexandre Correia Leal, médico“O vereador Luís Ferreira perdeu uma boa oportunidade para estar calado”O médico Alexandre Correia Leal considera o episódio ao redor do escritor Lobo Antunes “profundamente lamentável” considerando que se tratou “da destruição de um evento cultural da maior importância para Tomar, mercê de uma tentativa de aproveitamento provinciana, desonesta e abusiva por parte do Sr. Manuel Faria”. Quanto ao vereador Luís Ferreira diz que “perdeu uma boa oportunidade de estar calado”. E acrescenta: “Pior foram as considerações que fez sobre a assistência a este tipo de eventos”. No entanto, acha que não é caso para que este se demita. “Há dias menos felizes”, desdramatiza. Já quanto à Entidade Regional de Turismo, não é tão benevolente. “Parece-me completamente irrelevante e julgo que só serve para satisfazer algumas clientelas”, opina.António Cruz, 55 anos, empresário“Assisti a esta polémica com alguma apreensão, surpresa e desencanto”“Assisti a esta polémica com alguma apreensão, surpresa e desencanto. Apreensão porque o escritor disse que se sentiu usado por um membro da Entidade Regional de Turismo e surpresa pelas declarações um pouco tempestuosas e pouco cordiais por parte do vereador da cultura de Tomar, Luís Ferreira”. Para António Cruz, a Câmara Municipal de Tomar devia ter chamado a si a responsabilidade da situação. “O presidente da câmara, Dr. Corvêlo de Sousa, deveria ter feito o que não fez: retirar de imediato o pelouro ao vereador Luís Ferreira”, considera. Em relação ao trabalho da Entidade Regional de Turismo de Lisboa e Vale do Tejo, António Cruz, considera que é “muita parra e muito pouca uva”, sublinhando que “muitos conselhos, muitas ideias mas pouco dinheiro e poucas obras concretizadas”.Graça Costa, 48 anos, socióloga“Não percebo porque não cancelaram a iniciativa” A socióloga Graça Costa, vereadora na Câmara de Tomar eleita pelo movimento Independentes por Tomar, acompanhou a situação à distância, uma vez que estava de férias. Confessa que chegou a considerar a hipótese de ir à iniciativa e lamenta que a mesma não tenha sido cancelada. “A não ida a Tomar do escritor seria algo previsível de véspera, uma vez que ele teria avisado. O que levou a Entidade de Turismo a não cancelar o evento é algo que me ultrapassa totalmente”, diz. Quanto às polémicas declarações do vereador Luís Ferreira, é clara: “Não consigo conceber que um elemento de um executivo camarário do qual faço parte, e em concreto o responsável pelo pelouro da Cultura e Turismo, tenha publicamente enxovalhado a figura do escritor António Lobo Antunes e enxovalhado os tomarenses, apelidando-os de pedantes”. E não poupa a Entidade do Turismo. “Não se vê trabalho. Está muito aquém das expectativas”, afirma. Nuno Madureira Miguel, 41 anos, arquitecto“Lobo Antunes não devia ter sido usado como ‘saco de pancada’” O arquitecto Nuno Madureira Miguel, chegou a criar um movimento na Internet a favor da demissão do vereador da cultura, Luís Ferreira, na sequência das polémicas declarações. “Lobo Antunes não devia ser usado como “saco de pancada” entre Luís Ferreira (com o Festival dos Bons Sons de Cem Soldos) e Manuel Faria (com a Conversa com Lobo Antunes). Não percebo a ofensa que constitui organizarem-se os dois eventos em simultâneo nem o regozijo de Luís Ferreira com o “flop” do evento Lobo Antunes”, sublinha. Para ele o autarca sofre de falta de educação e cultura. “Será que é normal atacar e insultar quem estava no Café Paraíso (presidente da câmara incluído) e que queria assistir à Conversa com Lobo Antunes”? interroga. Sobre a nova Entidade Regional de Turismo também é crítico. “Há uma luta de poder entre o presidente Joaquim Rosa do Céu, e o seu vice-presidente, Manuel Faria”.Ivo Santos, 43 anos, empresário“Luís Ferreira excedeu-se nos comentários”O empresário Ivo Santos, refere que tudo não passou de uma “polémica estéril”. Em relação à postura do vereador da cultura, Luís Ferreira, considera que “mais uma vez” se excedeu nos comentários mas desculpa-o, alegando que errar é humano. “Não vejo porque razão não há-de continuar no lugar. Foi eleito, faz parte de uma coligação, tem a confiança política do seu partido. Depois do deslumbramento inicial prevalecerá a razão e o bom senso”, considera. Já em relação ao trabalho desenvolvido pela nova Entidade Regional de Turismo, o empresário é da opinião que se poderia fazer mais e melhor. “Tomar, a região, o país necessitam de uma nova visão e de outro tipo de apostas”, defende.

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