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Festival no Chouto para homenagear o acordeonista da terra João Noronha

Festival no Chouto para homenagear o acordeonista da terra João Noronha

A consagrada Eugénia Lima foi a grande atracção do dia festivo

João Noronha começou a tocar acordeão na tropa, quando comprou o primeiro instrumento por troca com uma bicicleta.

Edição de 29.09.2010 | Cultura e Lazer
João Noronha espera nervoso pela chegada da acordeonista Eugénia Lima ao largo da aldeia do Chouto, concelho da Chamusca, para iniciar o espectáculo em que é homenageado. Neste dia deixa o palco à artista que tem 80 anos de carreira e a dois jovens que vêm com ela, José Cláudio e Catarina Brilha. Enquanto os acordeonistas não chegam, o homenageado vai contando que começou a tocar esse instrumento na tropa. Na altura já tocava viola e um colega quis vender-lhe um acordeão. Acabou por trocá-lo por uma bicicleta e começou a aprender sozinho.A primeira actuação em público foi num casamento da irmã de um amigo. João Noronha ainda recusou porque só sabia tocar três músicas, mas perante a insistência lá acabou por ir animar a festa. A partir daí não parou mais. Fez vários bailes, várias actuações em festas e festivais, ao mesmo tempo que dirigia um circo, que ainda existe mas que agora só tem dois números. O do seu neto que faz magia e o seu que é de entreter as pessoas ao som do acordeão. À hora marcada para o espectáculo no sábado, dia 25, chega Eugénia Lima. O carro pára ao lado do palco e a artista de 84 anos fica dentro do carro a esperar pela vez de subir ao palco, para se proteger do frio. “Este tempo é muito prejudicial para os acordeonistas porque os dedos ficam muito frios e limitam os movimentos”, comenta a acordeonista que já correu mundo e que vive em Rio Maior. José Cláudio acompanha a namorada Catarina Brilha para iniciar o espectáculo. Começam a tocar músicas da autoria de Eugénia Lima. “Olhe, esta também é minha” diz com satisfação aquela que é uma referência para os dois jovens. “É o problema de tocar em último. Eles vão-me roubando os temas e eu tenho que ficar com os que restam”, diz em jeito de brincadeira. Com 84 anos e uma energia invejável, Eugénia Lima agradeceu a João Noronha a oportunidade de poder tocar no Chouto, terra onde fez muitos bailes e onde ia muitas vezes à herdade das noitinhas, propriedade de um amigo e a quem dedicou uma música. No final do espectáculo agradeceu ao público que foi batendo palmas e que apesar do frio aguentou até ao fim e ainda pediu mais uma música. Terminado o espectáculo, por volta da meia-noite, Eugénia pede ajuda para colocar o acordeão que pesa 18 quilos numa caixa de madeira feita pelo pai e cobre-o com um pano feito pela mãe e que a acompanha há mais de 50 anos. Antes de iniciar a actuação a grande referência do acordeão pediu ao jornalista para ficar atento ao som do seu acordeão. Um som diferente que tem como segredo a afinação do seu pai que era “o melhor afinador do país”, concluiu Eugénia Lima que deu uma entrevista a O MIRANTE que vai ser publicada na próxima semana.
Festival no Chouto para homenagear o acordeonista da terra João Noronha

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