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“Devem ser criadas mais soluções que diminuam a taxa de abandono dos animais”

Drª Maria Júlia Blauth, médica veterinária Clínica da Drª Júlia Clínica Veterinária (Marinhais)
Edição de 29.09.2010 | Dia do Animal
Estando num meio rural, na Clínica da Drª Júlia surgem os animais domésticos comuns, mas também alguns animais de campo, como cavalos, cabras e ovelhas. O maior problema, para esta médica veterinária, está precisamente nestes últimos, que muitas vezes são criados em condições ilegais. “Muitas vezes esses animais não estão registados. Se estivessem o próprio Estado providenciava um veterinário para vacinar, desparasitar e colher amostras de sangue, para prevenir doenças como a tuberculose e a brucelose, que são doenças que se transmitem às pessoas”, aponta. Por isso mesmo, a responsável diz que morreram muitos rebanhos com a chamada doença da “língua azul”, os quais poderiam ter sido poupados, caso estivessem legalizados.Para a Drª Júlia Blauth, nos meios rurais as mentalidades ainda estão iguais no que diz respeito ao tratamento dos animais. “Há pessoas muito boas que recolhem os animais abandonados e há pessoas cruéis que os abandonam e maltratam. Já me pediram para abater vários animais saudáveis porque já não os queriam. O problema é que aqui não há nenhum sítio onde se possam abrigar os animais abandonados”, diz com preocupação, lembrando que já encontrou vários animais no caixote do lixo. A história que mais a marcou foi a de um cão cujos donos pediram para que fosse abatido, sob o falso argumento de que estaria cheio de tumores. “O cão era jovem, e perfeitamente saudável. A única coisa que tinha era nós no pêlo, mas depois de tosquiado ficou lindo. Mas mesmo assim os donos não quiseram ficar com ele”, recorda com tristeza.Para a Drª Júlia Blauth a questão da sensibilização das pessoas para os direitos dos animais é bastante complexa e difícil. “Se não conseguimos sensibilizar as pessoas para questões como a violência doméstica ou os idosos, como é que vamos sensibilizá-los em relação aos animais?”, pergunta com desânimo. “É uma causa que todos temos de abraçar com mais intensidade. Nomeadamente no que diz respeito ao abandono. Devem ser criadas mais soluções alternativas que diminuam a taxa de abandono dos animais”, conclui.

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