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“O médico veterinário é um educador”

Drª Maria Gabriela Matos Directora Clínica Clínica Veterinária Vetcor (Coruche)
Edição de 29.09.2010 | Dia do Animal
O principal problema na questão da defesa dos direitos dos animais, para a Drª Gabriela Matos, está no facto de não se fazerem cumprir as leis. “Penso que a questão não está tanto em ter uma legislação mais severa, mas sim uma maior fiscalização, para obrigar as pessoas que abandonam os animais a pagar multas”, aponta.A responsável pela Vetcor considera que as mentalidades ainda vão demorar a mudar enquanto perante a lei o animal for visto como propriedade do dono e não como um ser vivo por si só. “Se por um lado isso facilita muitas coisas, por outro dificulta a acção legal para responsabilizar as pessoas que mal tratam os animais ou os abandonam”, explica. Por isso, a directora clínica sublinha que o médico veterinário tem de ser um educador, principalmente nas relações de higiene das famílias com os animais, na educação e alimentação, mas também na preservação do bem-estar animal. “Há uma serie de conselhos que nos preocupamos em dar e adaptamos a mensagem ao cliente em questão, tentando não ferir susceptibilidades, porque é importante que do outro lado haja compreensão”, refere.A responsável pela clínica de Coruche admite que as mentalidades estão a mudar lentamente, mas gostaria de ver mais acções de formação, nomeadamente nas escolas, para sensibilizar os mais jovens para estas questões, muito embora considere que a educação deve começar em casa, no seio da família. “Há ainda muito para fazer e é sobretudo preciso mudar o pensamento das pessoas que ainda encaram os animais como pastilha elástica, descartáveis. Se está doente então abandona-se e venha outro”, diz revoltada. Para a Drª Gabriela Matos, o problema do abandono dos animais é um problema muito sério e preocupante, porque um animal vadio é um animal que poderá pôr em risco a saúde pública. “Os animais podem estar infectados com diversas doenças contagiosas, como por exemplo as lombrigas, e as crianças facilmente poderão ficar contaminadas”, justifica.Ainda assim, a médica veterinária recusa associar-se ao lobby das associações de protecção dos animais contra os caçadores. “Nesta região há muitos caçadores e normalmente as associações insurgem-se contra eles por causa dos abandonos dos cães de caça. Mas a verdade é que nem todos os caçadores se enquadram neste cenário. Eu tenho muitos clientes caçadores que têm grande estima aos animais e que são capazes de grandes sacrifícios por eles. É verdade que há alguns que utilizam os cães só para a casa e se não servem, abandonam, mas não são todos”, conclui.

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