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“Autarquias têm de criar condições para que jovens não abandonem as suas terras”

“Autarquias têm de criar condições para que jovens não abandonem as suas terras”

Presidente da República deixou no Sardoal mensagem de combate à desertificação demográfica do interior
Edição de 29.09.2010 | Sociedade
Foi em clima de euforia que a população do Sardoal recebeu a visita do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, na tarde de quarta-feira, 22 de Setembro, dia em que se comemorava o 479.º aniversário da elevação daquela localidade do distrito de Santarém à categoria de vila. O Chefe de Estado confessou que já não vinha ao Sardoal há 16 anos, ocasião em que visitou o concelho na qualidade de primeiro-ministro. O Presidente da República aproveitou a deixa do presidente da Câmara Municipal do Sardoal, Fernando Moleirinho (PSD), que momentos antes tinha aludido que “no Sardoal ninguém é de fora”, para falar de empreendedorismo e da necessidade de criação de empregos nas regiões do interior, deixando uma mensagem de combate à desertificação.“As autarquias precisam de criar condições para que os jovens não abandonem a sua terra. Os seus responsáveis têm sobre os ombros a tarefa de reforçar a capacidade produtiva de cada concelho, em termos económicos, culturais e paisagísticos”, atestou perante um auditório repleto de convidados, entre os quais alguns presidentes de câmara como Máximo Ferreira, de Constância, ou António Rodrigues, de Torres Novas.“O mundo rural faz parte da nossa identidade e não há um Portugal rico e de progresso se ele estiver confinado a uma estreita faixa do litoral”, referiu o Presidente da República considerando que os municípios do interior devem encontrar estratégias de combate à desertificação. “As dificuldades que o país atravessa só serão vencidas se juntarmos ao trabalho da grande cidade e da grande empresa aquilo que é feito na pequena vila, na aldeia, ou na pequena empresa”, vincou, salientando ainda a importância das instituições de apoio social. Antes do discurso do Chefe de Estado, o presidente da Câmara de Sardoal, Fernando Moleirinho (PSD), apresentou o concelho a Cavaco Silva numa frase: “Costumamos dizer que no Sardoal ninguém é de fora. Mais do que um lema, queremos que seja entendido como uma afirmação da nossa personalidade”, frisou, saudando o “amigo presidente”. Mais adiante, e já num tom menos festivo, o autarca lamentou que o acesso a fundos comunitários esteja “cada vez mais difícil e complicado” face aos adiamentos e dificuldades de acesso, situação que cria constrangimentos aos municípios do interior. “As atitudes governamentais em nada têm enobrecido os fundamentos da democracia e têm defraudado as expectativas de quem luta por um futuro melhor”, referiu o autarca. Cavaco Silva chegou ao Sardoal pelas 17h00, acompanhado pela esposa, Maria Cavaco Silva, que assim que saiu do carro recebeu um ramo de flores de uma criança. Recebido pela guarda de honra prestada pela Filarmónica União Sardoalense, Cavaco Silva assistiu ainda a uma largada de balões verdes, antes de inaugurar a “Unidade de Apartamentos Lúcio Serras Pereira”, uma unidade residencial de idosos da Santa Casa da Misericórdia que celebra 500 anos de actividade este ano, sendo uma das mais antigas do país. Cá fora, foram muitos os populares que o quiseram saudar e a quem Cavaco Silva nunca negou um cumprimento.Jovem tomarense expõe e Presidente da República inauguraAntes dos discursos oficiais da tarde, Cavaco Silva inaugurou, no Centro Cultural Gil Vicente, a exposição “Ser Rei para quê?” do jovem pintor Jorge Lopes, natural de Tomar mas a trabalhar em Berlim (Alemanha) cujo percurso O MIRANTE já tinha dado a conhecer em Janeiro de 2009. O artista, de 28 anos, levou seis meses a montar esta exposição e considera uma “honra” ter o Presidente da República na inauguração. “Estava bastante nervoso e aguardava o momento com grande expectativa”, confessou, explicando que o convite de expor no Centro Cultural Gil Vicente surgiu da parte de um coleccionador do Sardoal que viu uma das suas exposições de final de curso, em 2004. O autor define-se como um “pintor do abstracto real” inspirando-se nas “lições pessoais e impessoais mais duras da vida”, e “sempre com uma mensagem ou história subliminar” em cada um dos retratos por si enquadrados. “A minha pintura é para ser vivida mas é muito porca, é suja, porque é directa e porque não faço nada de fachada nem com meias tintas”, afirmou. Curiosamente, nunca expôs na sua terra natal, Tomar. “Nunca surgiu o convite e, por outro lado, também penso que não existem sítios. Fiquei impressionado com a Casa dos Cubos mas penso que o espaço é pequeno para este tipo de exposições. Mas claro que se um dia conseguir expor em Tomar, para mim será um orgulho”, afirmou.
“Autarquias têm de criar condições para que jovens não abandonem as suas terras”

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