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Vereadores dizem que “há máfias” a intimidar comerciantes em Abrantes

Vereadores dizem que “há máfias” a intimidar comerciantes em Abrantes

Presidente da autarquia refere que o clima de insegurança é idêntico ao que se vive noutros concelhos

O último caso remete para um empresário que foi espancado no interior do seu estabelecimento.

Edição de 29.09.2010 | Sociedade
Os vereadores do Partido-Social Democrata de Abrantes, Santana Maia e António Belém Coelho, consideram que se vive no concelho “situações de cariz mafioso” que incluem “extorsão de dinheiro e de bens a comerciantes, através da intimidação física e de coacção psicológica, e de esquemas de contratação de elementos de comunidades marginais para amedrontar e afugentar a clientela de estabelecimentos comerciais concorrentes”. A presidente da Câmara, Maria do Céu Albuquerque (PS), considera que este tipo de linguagem “é abusivo” porque se pode estar a reportar a situações de querelas entre vizinhos. “Temos que manter algum distanciamento e contribuir para que o trabalho da PSP possa ser mais eficaz”, considera.O último caso que sustenta a tese dos vereadores social-democratas remete para um empresário de Abrantes que foi espancado no interior do seu estabelecimento, na Avenida 25 de Abril, na noite de 21 de Setembro, por um homem que se fazia acompanhar por sete indivíduos. De acordo com Joaquim Ribeiro, proprietário do café “Cofee Break” desde há alguns meses, faltavam cinco minutos para as duas da madrugada, hora de encerrar portas, quando o grupo entrou no estabelecimento. Joaquim Ribeiro estava sentado numa mesa a falar com um cliente quando sentiu um toque nas costas. “Assim que olho na sua direcção levo duas cabeçadas no nariz e assim que me levanto levo um soco na cara”, contou a O MIRANTE no dia seguinte aos acontecimentos. “Não apresentei resistência porque senão partiam-me o estabelecimento todo e era isso mesmo que queriam”, disse, referindo que não foi a primeira vez que foi agredido. A PSP foi chamada ao local e os agressores identificados mas Joaquim Ribeiro, que também é membro do CDS-PP local, considera que reina em Abrantes “um clima de impunidade”. Na reunião do executivo camarário de 20 de Setembro, os vereadores do PSD exigiram que a Câmara de Abrantes tome medidas para que “a paz pública e a segurança retornem à cidade” mas a presidente da autarquia considera que este tipo de discurso não passa de alguma especulação que está a ser feita em torno de casos pontuais. “Gostava de desmistificar esta questão porque as questões de insegurança em Abrantes são idênticas ao que se passam em outros concelhos”, disse a autarca a O MIRANTE, acrescentando que os dados que lhe chegam não provam que exista um clima de insegurança em Abrantes. “São casos pontuais, perfeitamente identificados e os dados que temos não nos permitem dizer que temos insegurança em Abrantes”, considera. Maria do Céu Albuquerque aludiu ao facto de se ter constituído o Conselho Municipal de Segurança, estando praticamente concluído o primeiro diagnóstico local de segurança que pode levar à implementação de medidas como o reforço de policiamento, inclusão de câmara de vídeo-vigilância e um trabalho de intervenção social junto das comunidades mais problemáticas.Queixas não são de agoraA questão da insegurança em Abrantes tem sido levantada ciclicamente nos últimos anos e tem sido objecto de várias notícias no nosso jornal. Em Fevereiro de 2010, a presidente da câmara apelou à população para não se deixar intimidar pelo grupo de delinquentes que vinha fomentando um clima de insegurança na cidade e para apresentar queixa junto das autoridades sempre que tenha conhecimento de actos ilícitos. Maria do Céu Albuquerque afirmou que um grupo de jovens, “alguns com menos de 16 anos”, estava identificado como sendo o “responsável pelo clima de medo e de insegurança” que se sentia em “determinados pontos” da cidade, sendo o mesmo grupo apontado nessa altura como “suspeito de agressões a murro e a pontapé” a um homem e sua filha, que o surpreenderam a danificar um automóvel. Em Dezembro de 2008, os “actos de vandalismo e desacatos frequentes” provocados por um grupo de menores levou a Câmara de Abrantes, então ainda presidida por Nelson Carvalho (PS), a solicitar a intervenção do Ministério Público. O alvo desse grupo era o centro comercial Millenium, situado numa das zonas mais povoadas da cidade, com “provocações aos comerciantes e às pessoas que ali circulam”, dizia na altura Celso Marques, comandante da PSP de Abrantes.Em 29 de Junho de 2010, a morte de um motorista de Salvaterra de Magos na área de serviço da A23 de Mouriscas, assassinado à facada por motivos fúteis, voltou a relançar o debate. Os três detidos, de etnia cigana, à data com 18, 22 e 23 anos, já estavam referenciados pelas autoridades do concelho de Abrantes por serem suspeitos da prática de delitos considerados menores, havendo queixas contra eles designadamente por furtos e agressões. Eram também apontados, juntamente com outros jovens, pela instauração de um clima de intimidação e insegurança na cidade.
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