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“O Tejo é dominado pelo fundamentalismo ambientalista”

“O Tejo é dominado pelo fundamentalismo ambientalista”

Azambuja recebeu segundo debate sobre o Plano Estratégico do concelho

O rio Tejo pode ser uma oportunidade para o desenvolvimento de Azambuja, mas para isso é necessário que a burocracia alivie, defende o presidente da câmara, Joaquim Ramos.

Edição de 06.10.2010 | Sociedade
“O Tejo é dominado pelo fundamentalismo ambientalista”. Quem o disse foi o presidente da Câmara Municipal de Azambuja, Joaquim Ramos, na noite de quinta-feira, 30 de Setembro, durante a segunda sessão pública de debate sobre o Plano Estratégico de Azambuja, um documento que está a ser elaborado pelo gabinete do economista Augusto Mateus. O autarca de Azambuja garante que tem projectos aprovados e financiados por fundos comunitários para a requalificação da zona ribeirinha e da Praia do Tejo e vê-se impedido de avançar devido à burocracia das instituições de regulamentação ambiental. “Já ninguém quer fazer turismo para apanhar sol na praia, quer conhecer sítios com valor ambiental e o nosso património”, ilustrou o presidente da câmara que vê no Tejo o futuro da Azambuja. Joaquim Ramos considera que para haver desenvolvimento na zona ribeirinha tem de haver ocupação humana com infra-estruturas e zonas de recreio e lazer e por isso quer deixar de ver o rio como mais um pedaço do seu concelho ao abandono.O presidente foi mais longe ao considerar que as instituições ambientais de regulação são “estruturas arcaicas de avaliação” e admitiu já ter realizado obras sem o consentimento das entidades, porque caso contrário, o impediriam de as fazer. Augusto Mateus, economista, disse esperançado que as coisas estão a mudar, mas admite que existe muito trabalho a ser feito. Segundo o seu estudo a Azambuja está situada no nó rodoviário mais importante do país. O cruzamento das actuais e futuras auto-estradas da região e as suas ramificações será um factor fulcral no desenvolvimento do concelho. Destaca ainda que os sectores dos transportes, agricultura e o turismo são os mais beneficiados, mas para isso é necessária a criação de postos de trabalho revitalizando as antigas e criando novas pequenas e médias empresas com mão-de-obra jovem e qualificada.“Até à instituição da ARH (Administração da Região Hidrográfica), o Tejo era um empecilho”, indicou Augusto Mateus referindo-se à impossibilidade de aplicação de projectos no rio. A vice-presidente da Administração da Região Hidrográfica do Tejo, Simone Pio, defende a actividade náutica no Rio Tejo através de um estudo de projecto de hidráulica fluvial. O economista e vice-presidente do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, Carlos Figueiredo, salvaguardou que Azambuja faz parte de um corredor ecológico e terá de saber articular a economia com a biodiversidade, promovendo o contacto com as empresas nas boas práticas de conservação da natureza, incentivando o turismo natural e o empreendedorismo jovem no desenvolvimento de programas de educação ambiental. Na segunda edição de debates o auditório recebeu ensinamentos pedagógicos sobre a Sustentabilidade, Ambiente, Qualidade de Vida e Desenvolvimento Turístico. Aos cidadãos foi lançado o desafio de participar activa e continuamente através de opiniões e sugestões para futuros projectos de desenvolvimento no concelho. “O Tejo é a melhor auto-estrada do Ribatejo” atestou Madalena Viana, deixando o seu testemunho no debate a partir da plateia. Esta empresária marítimo-turística, apesar de ter sucesso no seu negócio, lamenta que o Tejo não esteja navegável e que encontrem obstáculos à circulação e à requalificação da bacia, considerando este como o maior impedimento ao desenvolvimento turístico da zona.
“O Tejo é dominado pelo fundamentalismo ambientalista”

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