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O músico que se tornou enfermeiro dos mais novos

Eduardo Santos é enfermeiro especialista em Saúde Infantil e Pediátrica no Centro de Saúde de Ourém

Tirou o curso na Escola de Enfermagem de Santarém, em 1987. Já como enfermeiro continuou guitarrista, tocando em bandas que percorriam bailes e festas.

Edição de 07.12.2010 | Identidade Profissional
Eduardo Santos, 50 anos, é enfermeiro especialista em Saúde Infantil e Pediátrica no Centro de Saúde de Ourém. Natural do Entroncamento, enveredou quase por acaso pelo curso de enfermagem. Na juventude foi guitarrista e confessa que nunca chegou a perder o bichinho, compondo músicas para os mais novos. Nas visitas às escolas, procura passar a informação de forma animada, tratando sempre as crianças com respeito.Ao chegar ao 11º ano, Eduardo Santos não tinha propriamente uma opção definida. Estudar enfermagem foi uma das saídas disponíveis, mas que “não me gerou nenhum conflito porque desde jovem que me interessava por temas relacionados com a anatomia, biologia, psicologia, até mesmo com essa essência da enfermagem, que é o cuidar do outro”. “Fui alegremente”, diz.Tirou o curso na Escola de Enfermagem de Santarém, em 1987, e em 1994 tirou uma especialização em Saúde Infantil e Pediátrica na Escola de Enfermagem Maria Fernanda Resende. Ao mesmo tempo continuou guitarrista, tocando em bandas que percorriam bailes e festas. Participou em festivais da canção da região, tendo conquistado um prémio do público num Festival da Canção no Entroncamento no final dos anos 70.“Enquanto estudava toquei, mas depois de casado parei. Mas uma vez guitarrista, guitarrista sempre”. Refere inclusivamente que o passado enquanto músico o ajuda na actividade profissional, compondo músicas com temas da saúde dirigidas aos mais novos. “Sempre tive uma boa relação com as crianças enquanto adulto e enquanto criança com os adultos”, comenta. A especialidade foi assim também uma oportunidade que surgiu e que decidiu aproveitar. Esteve sempre a trabalhar no Centro de Saúde de Ourém, com excepção de um ano em que trabalhou no Centro de Saúde de Marvila, em Santarém. “Enquanto enfermeiro especialista, cumpro as funções de todos os enfermeiros e enfermeiras graduados e ainda acções que exigem maior complexidade na área da infância e juventude”. “O meu horário é das 09h00 às 17h00. A minha principal actividade é na saúde escolar, em que trabalho com os professores e os agrupamentos em actividades de promoção da saúde. Participo em outras actividades nas escolas como representante do centro de saúde. Preparo projectos para a saúde, dinamizo actividades. E participo em todas as actividades do Centro de Saúde ligadas à enfermagem”, enumera. A hipótese de mais formação na sua área, para já, não se coloca. “Neste momento estou empenhado na formação dos meus três filhos, mas assim que tiverem a sua formação de base vou procurar especializar-me mais na enfermagem ou noutras ciências mais associadas”.A profissão de enfermeiro “tem as suas características específicas que podem representar dificuldades, mas para quem gosta são desafios e estímulos. Para quem não esteja totalmente integrado surgem dificuldades”, refere. “É uma profissão de relacionamento, de comunicação e quem não estiver consciente disso pode ter frustrações”.Trabalhar com crianças é “espectacular”, a “melhor coisa do mundo”, porque são muito abertas “e em situação de doença só têm aquilo que lhes dão”. Para saber lidar com elas basta tratá-las com “a dignidade e o respeito de uma pessoa adulta”. Talvez por isso quando lhe perguntam sobre uma boa experiência na sua profissão lembra-se de uma criança que de cada vez que precisava de mudar um penso esperneava muito e tinham que a agarrar. Eduardo Santos conversou com ela e conseguiu fazer-lhe o curativo sem problemas. “Ou quando as crianças das escolas na rua me cumprimentam e eu nem me lembro delas”, comenta.Não tanto como má experiência, recorda todos aqueles momentos em que o enfermeiro não pode fazer mais nada pelo paciente. “Embora pareçamos frios em certas situações, também temos coração”. Nunca pensou em mudar de carreira, mas os seus interesses estendem-se a muitas áreas. Um projecto para a reforma é, por exemplo, dedicar-se ao estudo dos pássaros. “Hoje já o faço, mas de forma desorganizada, questionando-me no meu dia-a-dia”.

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