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PSD de Ourém precisa de um milagre para se regenerar

PSD de Ourém precisa de um milagre para se regenerar

Lutas internas no PSD de Ourém depois de João Moura ter afirmado recentemente, numa reunião da concelhia, que será candidato a deputado

João Moura pôs em causa a liderança de Natálio Reis, que aceitou agarrar no partido depois da estrondosa derrota nas autárquicas.

Edição de 07.12.2010 | Política
O actual presidente da Concelhia do PSD de Ourém, Natálio Reis, tem o partido ao colo totalmente dependente da sua paciência para continuar a suportar as divisões internas. A derrota nas autárquicas desorganizou as hostes e quem fala mais alto no partido é quem nesta altura tem mais importância. Nos últimos dias João Moura voltou a aquecer a vida interna do PSD de Ourém ao afirmar numa reunião da concelhia que ia ser candidato a deputado nas próximas eleições legislativas fosse contra quem fosse. A sua posição, numa altura em que as eleições legislativas podem estar a três anos de distância, foi vista como uma forma de marcar terreno e de afirmar a sua liderança pessoal.O MIRANTE sabe que Natálio Reis está na iminência de bater com a porta e causar rupturas no partido de forma a reunir as hostes, mais uma vez, depois da derrota autárquica. O facto de os actuais vereadores na câmara não terem voz na concelhia, e de João Moura, na qualidade de chefe de bancada da assembleia municipal, estar a marcar terreno à margem das decisões do órgão dirigido por Natálio Reis,  só pode causar rupturas, diz uma fonte do PSD local.João Moura não é só criticado por querer ser candidato a deputado e por estar a impor o seu nome nesta altura, mas acima de tudo por não se disponibilizar para candidaturas autárquicas. “O normal era que ele se disponibilizasse para trabalhar no sentido de levar o PSD a reconquistar a confiança dos eleitores do nosso concelho, e não que se esteja já a pendurar numa candidatura a um lugar de deputado”, desabafou um militante que embora faça parte dos órgãos dirigentes está afastado destas guerras pelo poder.Embora os actuais vereadores, Vitor Frazão e Luís Albuquerque, não manifestem publicamente o mau estar por saberem que o líder da assembleia municipal anda a perfilar-se para o lugar de deputado, disputando um lugar que deve ser ganho com trabalho e não com conversa, Natálio Reis pondera demitir-se porque assumiu a responsabilidade de unir o partido. Com o líder da bancada da assembleia em guerra surda com os vereadores não se augura nada de bom para o futuro do PSD em Ourém, que aparentemente, precisa de um milagre para se regenerar.As divergências no seio do PSD de Ourém são públicas e notórias há muito tempo e ainda recentemente foram assumidas claramente pelo ex-presidente da câmara, ex-deputado e ex-líder do partido a nível local, Mário Albuquerque, em entrevista publicada a 4 de Novembro por O MIRANTE. “O PSD está muito dividido em Ourém. Há clivagens muito fortes, há gente que entende que se deve sobrepor a outros. E isso não é assim. Quem decide são os militantes e há que aceitar a decisão dos militantes. Quando as pessoas não se entendem gera-se confusão. Essas clivagens não são boas e acabam por se reflectir na imagem do partido. Como é que um partido pode ir para a rua apresentar propostas ao eleitorado se ele próprio está dividido por dentro”, disse Mário Albuquerque.No fecho desta edição recebemos um comunicado da comissão política do PSD de Ourém, não assinado, onde se refutava as informações que nos foram fornecidas por fonte digna de crédito, classificando-as como despropositadas e caluniosas. O MIRANTE tentou contactar o presidente da concelhia, Natálio Reis, mas as chamadas para o telemóvel seguiram directamente para a caixa de mensagens.
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