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Francisco Ribeiro de Carvalho

Francisco Ribeiro de Carvalho

Cirurgião plástico, 63 anos, Santarém

O único cirurgião plástico do Hospital de Santarém trabalha na área da reconstrução mamária. Francisco Ribeiro Carvalho, 63 anos, também colabora numa clínica privada, mas não cede a qualquer capricho. É casado e tem dois filhos. Nasceu em Angola, mas sente-se mais europeu que africano. Vive em Santarém desde os 37 anos. Partilha as tarefas domésticas sempre que é necessário. Gosta de ler. A fotografia é outra paixão. Coloca todos os dias a medicina ao serviço da beleza, mas sempre a pensar nos outros já que em termos pessoais gosta de passar despercebido.

Edição de 07.12.2010 | Três Dimensões
Nasci em Angola, mas tenho pouco de africano. O meu pai era funcionário administrativo no tempo colonial. A minha mãe acompanhava-o. Vim para Portugal aos 10 anos. Tenho quatro irmãos. Frequentámos a escola primária junto dos pais e depois íamos estudar para a metrópole. Ficávamos na casa de avós na Beira Alta. Frequentei o colégio em Tondela e depois o liceu em Viseu. Tradicionalmente as pessoas da Beira iam para Coimbra, mas fui para Lisboa onde já estavam a estudar os meus irmãos. Foi uma adolescência sem sobressaltos, mas com saudades dos pais que só vinham nas férias.África tem uma magia muito particular. O pôr-do-sol, o cheiro da terra, as pessoas. Há um certo desanuviamento do olhar. Voltei durante a faculdade antes do 25 de Abril, mas não vivo a saudade africana como vivem as pessoas que vieram mais tarde. Sou um homem feliz e realizado. Sempre fiz aquilo que gostava. A medicina foi uma boa solução. Fiz uma boa e longa carreira profissional. Quando o Hospital de Santarém foi inaugurado convenceram-me a ficar. Foi um desafio construir um novo serviço e dar os primeiros passos de uma especialidade – cirurgia plástica, reconstrutiva e estética - que tradicionalmente estava nas grandes cidades. Foi um desafio que teve resultados durante 20 anos. Quase todos os fins-de-semana vou para Lisboa. É lá que tenho os meus amigos. A minha relação com Santarém é uma relação quase profissional. Cheguei a Santarém com 37 anos e nessas idades é muito difícil criar amizades. As verdadeiras são amizades que conseguem cativar-se numa fase precoce da vida. Precisava de fazer mais desporto. Joguei voleibol quando era jovem. O meu tempo é praticamente nocturno. Quando não estou a dar consultas estou a operar. Não sou grande fã de futebol. Vejo os grandes jogos. Gosto de desenhar e de pintar, embora agora tenha pouco tempo. Nos últimos anos tenho-me dedicado à fotografia. É o meu hobbie preferido, além da música, literatura e cinema.Faço reconstrução da mama no período pós-oncológico. No Hospital de Santarém são mastectomizadas por cancro da mama cerca de 80 doentes por ano. É uma das actividades da cirurgia plástica que considero gratificante. É uma mais valia social. O contacto médico - doente é muito intenso. Sou o único cirurgião plástico do Hospital de Santarém a fazer este trabalho. Tenho conseguido diminuir a lista de espera que ainda assim é de um ano. Não sou marialva. Colaboro naturalmente nas tarefas de casa. Lavo loiça e se for preciso sou capaz de passar uma camisa a ferro embora tenhamos empre-gada. Habituei-me desde cedo a fazer as tarefas domésticas. A mulher trabalha e não é justo que o marido fique no sofá a ver televisão.Um dos meus hobbies é conhecer o mundo. Nunca dou por mal empregue o dinheiro que gasto nas férias. São planeadas meticulosamente. Já visitei a China e Macau. Conheço o Brasil, África e grande parte da Europa. Gostei muito de estar no Egipto, na Turquia e na Grécia. Falta-me conhecer a Índia.Sou médico e não curandeiro. Aparece-me gente a pedir tudo. A medicina estética está pejada de gente sem escrúpulos. O cirurgião não pode deixar que interesses económicos falem mais alto. Faço sempre uma análise médica séria e rigorosa de quem é a pessoa, que intervenção pede e se é sensato fazê-la. Se uma pessoa me pede um aumento mamário de proporções que não são correctas por qualquer bizarro fetiche só tenho que dizer à pessoa que não. Na minha geração não havia metrosexuais. Os homens queriam-se barbudos e desalinhados enquanto que as senhoras tinham que estar muito bem arranjadas. Não sou muito vaidoso e seria incapaz de pintar o cabelo. Pretendo ter boa aparência, mas isso não me faz correr para institutos de beleza.Não consigo viver sem o telemóvel. Tenho computador, mas continuo a ter o meu planeamento escrito. A agenda proporciona-me uma visão de conjunto. Sou organizado. A profissão assim o exi-ge. O planeamento é fundamental para o sucesso da actividade.Ana Santiago
Francisco Ribeiro de Carvalho

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