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O alentejano que veio para o Ribatejo por amor aos cavalos

O alentejano que veio para o Ribatejo por amor aos cavalos

Rodrigo Ferro aposta na produção de queijo de ovelha na Quinta da Murta, na Chamusca

Trabalhou durante onze anos na agricultura, mas há cerca de sete meses decidiu mudar o ramo de actividade e tornou-se produtor de queijo de ovelha.

Edição de 15.12.2010 | Identidade Profissional
Foi a paixão pelos cavalos que trouxe este alentejano, natural de Monsaraz, (distrito de Évora) para o Ribatejo, mas é no mundo da produção de queijo de ovelha que actualmente dá cartas. Rodrigo Ferro vive na Chamusca há cerca de 15 anos e é na Quinta da Murta que trabalha todos os dias. Nascido numa família de agricultores, o produtor diz que “não fazia sentido” ter outra actividade profissional. Trabalhou durante onze anos na agricultura, mas há cerca de sete meses decidiu mudar o ramo de actividade e tornou-se produtor de queijo de ovelha.O dia começa cedo. Antes das seis da manhã já está a pé. A primeira função é a ordenha dos animais. O produtor possui 250 ovelhas, 90 das quais paridas (são estas que dão leite). A partir do momento em que têm os borregos, as ovelhas dão leite durante cinco meses. Rodrigo Ferro faz uma gestão do número de ovelhas que tem para que existam sempre várias a produzir leite.A sala da ordenha parece uma pequena fábrica. As ovelhas saem directamente do curral para o espaço. Entram 12 de cada vez para as divisórias onde são colocadas as tetinas que sugam o leite que vai directamente para os tanques metalizados. No final da ordenha cada animal ingere uma porção de farinha dada pelo produtor. Segundo Rodrigo Ferro, são ordenhadas cerca de uma centena de ovelhas por hora. Duas ordenhas por dia, o que corresponde a noventa litros de leite diários. Após a primeira ordenha, as ovelhas ‘paridas’ vão para o pasto onde ficam até cerca das 17h00, altura da segunda ordenha do dia. A meio da manhã, Rodrigo Ferro aproveita o tempo livre na Quinta da Murta e vai vender e distribuir o seu queijo. Os clientes aguardam-no. O leite que está nos tanques é colocado nas bilhas que são transportadas para a queijaria, do outro lado da quinta. Longe do balido das ovelhas, o processo de transformação do leite em queijo ganha forma. Coloca-se o leite na panela de pasteurização - processo de aquecimento utilizado em alimentos para destruir micróbios existentes – a 60 graus de temperatura. O processo demora cerca de hora e meia a estar concluído, ficando depois cerca de 45 minutos a coalhar. Se for queijo fresco, depois de coalhar vai para a francela e ao fim de cinco minutos está pronto a vender. O queijo normal ainda passa por diversos processos. Na sala de secagem os queijos são colocados em prateleiras com pequenas placas que indicam o dia em que foi confeccionado. Para estarem reunidas todas as condições para confeccionar um bom queijo de ovelha a temperatura ambiente da sala de secagem não deve ultrapassar os 20 graus e a humidade não deve ser superior a 80 graus. As condições atmosféricas condicionam o tempo de secagem. Talvez por isso não falte na sala uma ventoinha e um desumidificador para controlar o ambiente.Desde a recolha de leite até à venda um queijo de ovelha demora trinta dias a ficar pronto. “Enquanto aqui demoramos cerca de três horas a fazer 200 queijos, nas empresas grandes demoram minutos. Demoramos mais tempo porque todo o processo que utilizamos é artesanal. Podemos demorar mais tempo e não conseguir produzir em tão grandes quantidades como as empresas industrializadas, mas de uma coisa tenho a certeza, o nosso queijo é de excelente qualidade. Depressa e bem não há quem”, alerta Rodrigo Ferro.Apesar de estar à frente do negócio há menos de um ano, a confecção de queijo de ovelha não é estranha para o produtor. Em casa do avô sempre se produziu queijo e Rodrigo Ferro dava uma ajuda sempre que necessário. O produtor confessa que escolheu um trabalho duro e cansativo, mas não se arrepende. “Só é mais chato porque não existem feriados nem fins-de-semana, mas quando fazemos aquilo que gostamos, todos os sacrifícios valem a pena”, realça.O produtor conta que para tornar o queijo mais ‘mole’ colocam azeite, algo muito apreciado pelos ribatejanos, conta. “No Alentejo preferem-no duro, por isso lá não se utiliza azeite”, explica. O próximo objectivo da queijaria Quinta da Murta é expandir a venda dos seus queijos a restaurante uma vez que até agora apenas fazem venda directa ao público.
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