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Cartaxo com programa “Fome Zero” para garantir alimentos a famílias carenciadas

Cartaxo com programa “Fome Zero” para garantir alimentos a famílias carenciadas

Município lança projecto em parceria com Banco Alimentar Contra Fome e instituições do concelho

A apresentação do programa ficou marcada pela atribuição de um cheque de 3.500 euros ao Banco Alimentar de Santarém. Esse montante será convertido em alimentos.

Edição de 15.12.2010 | Sociedade
A Câmara Municipal do Cartaxo lançou esta sexta-feira o programa “Fome Zero”, que visa suprir as necessidades alimentares das famílias carenciadas do concelho. Na sessão de apresentação do projecto, o presidente da autarquia, Paulo Caldas (PS), atribuiu um cheque de 3.500 euros ao banco Alimentar Contra a Fome de Santarém, entidade parceira nesta iniciativa. Essa verba, que será convertida em alimentos a distribuir por 697 pessoas, resulta da poupança feita este ano pelo município nas iluminações e decorações de Natal.Paulo Caldas diz que o objectivo deste programa “é transformar as verbas, que resultem de poupanças ou de cortes em desperdícios, em bens alimentares para distribuir pelas famílias carenciadas do concelho”. O Banco Alimentar Contra a Fome de Santarém canalizará depois os alimentos para as cinco instituições particulares de solidariedade social (IPSS) do concelho do Cartaxo, que os distribuirão pelas famílias carenciadas. Estão também envolvidas no projecto o Centro Paroquial de Pontével, a Conferência de São Francisco de Assis, a Conferência de São Vicente de Paulo, a Cruz Vermelha do Cartaxo e o Jardim de Infância do Cartaxo.O presidente da Câmara do Cartaxo diz que o município vai nos próximos dois ou três anos contribuir com novas ajudas ao Banco Alimentar destinadas ao mesmo fim e que já sensibilizou as juntas de freguesia do concelho e algumas entidades particulares para seguirem o exemplo. “Os dias que vivemos são cada vez mais difíceis. O programa Fome Zero pretende garantir que ninguém vive com fome no concelho. Queremos transformar as poupanças em alimentos”, disse Paulo Caldas no salão nobre dos paços do concelho perante uma plateia composta maioritariamente por autarcas e pessoas ligadas às IPSS do concelho. O autarca reconheceu que “há muito desperdício que é feito pelos políticos e por particulares e há que ter coragem para o assumir e converter esse desperdício em coisas boas e ajudar a combater os desequilíbrios sociais”. Para o próximo ano, a Câmara do Cartaxo pretende cortar também em algumas festas e eventos, informou ainda. “Em 2011 prevemos uma verba de 30 mil euros para apoiar o Banco Alimentar”, referiu.O presidente do Banco Alimentar de Santarém sublinhou que a Câmara do Cartaxo foi a primeira entidade pública a associar-se de forma permanente à actividade de recolha de alimentos. Ramiro Matos agradeceu a Paulo Caldas o seu “exemplo”, que “é magnífico”, referindo que o Banco Alimentar, apesar de ser uma IPSS, tem a dimensão de uma média empresa distribuindo entre 200 e 250 toneladas de alimentos por ano pelas instituições. E por isso necessita de apoio, pelo que considerou o cheque “bem-vindo”.“Ficámos contentes pelo reconhecimento, por parte da autarquia do Cartaxo, da idoneidade e credibilidade do nosso trabalho”, frisou Ramiro Matos, dizendo que considera esta iniciativa “um acto de coragem do presidente Paulo Caldas ao reconhecer que existe fome no seu concelho”. Banco Alimentar de Santarém apoia 6.500 pessoasO Banco Alimentar Contra a Fome de Santarém, que opera nos concelhos da Lezíria do Tejo, está actualmente a apoiar cerca de 6.500 pessoas, revelou o presidente dessa entidade. Ramiro Matos diz que esse número é fiável e sustentado numa base de dados que lhes permite ter a noção de quais os concelhos mais afectados da sua área de abrangência e as faixas etárias mais atingidas pelo flagelo da fome.A população idosa, com elevado índice de dependência, é a mais problemática e a faixa etária para onde são canalizados mais alimentos, inclusivamente através dos centros de dia. O Banco Alimentar Contra a Fome de Santarém está também a enviar alimentos como fruta e pão para algumas escolas darem ao lanche, de forma a proporcionar reforço alimentar a crianças carenciadas que só têm uma refeição condigna na escola.O responsável revelou que recentemente a Fundação EDP deu uma ajuda monetária, para ser convertida em alimentos, à estrutura nacional do Banco Alimentar Contra a Fome e na definição de prioridades para distribuição dos bens a Lezíria do Tejo surgiu em segundo lugar, logo atrás do Vale do Ave. “A zona da Lezíria do Tejo está a atravessar fortes problemas de carências económicas, mas também continua a haver muito desperdício”, diz ainda Ramiro Matos, designadamente na indústria agro-alimentar, junto da qual o Banco Alimentar tem actuado para tentar aproveitar sobras que podem ser aproveitadas para ajudar quem precisa.
Cartaxo com programa “Fome Zero” para garantir alimentos a famílias carenciadas

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