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Conta solidária em nome da família a quem o Estado tirou os filhos durante ano e meio

Conta solidária em nome da família a quem o Estado tirou os filhos durante ano e meio

Dinheiro do Clube de Leitores de O MIRANTE aplicado em acção de solidariedade

Caixa Agrícola de Salvaterra de Magos solidariza-se com iniciativa e deputados que acompanharam o caso alertam para o facto de a família continuar sob pressão dos serviços.

Edição de 15.12.2010 | Sociedade
No interior da Caixa Agrícola de Salvaterra de Magos, a pequena Soraia dorme ao colo de Nuno Antão, adjunto da Governadora Civil de Santarém, enquanto o Director-Geral de O MIRANTE, Joaquim António Emídio explica porque decidiu utilizar dinheiro do Clube de Leitores do jornal para abrir, na sexta-feira passada, uma conta solidária em nome da família de Foros de Salvaterra a quem foram retirados os filhos menores durante 18 meses.Nuno Antão tem uma filha de 10 anos e voltará a ser pai nos primeiros meses do próximo ano. Ter uma criança ao colo não lhe é estranho. Assim como não lhe são estranhas situações de injustiça como a que foi vivida pela Soraia, pelos irmãos e pelos pais. Tatiana e Filipe estão ao pé da mãe, Marília Batista. A caminho da Caixa Agrícola, num pequeno percurso a pé, Filipe, foi de mão dada com o deputado social-democrata Vasco Cunha. Ao lado seguia o ex-deputado, também do PSD e actual director executivo da Nersant, António Campos.Os menores foram retirados à família, pela GNR, a 20 de Junho de 2008, a meio da noite - situação pouco vulgar em casos do género - e apesar da população se ter solidarizado com os pais e construído uma casa nova para a família habitar - dado que a falta de condições de habitabilidade era um dos motivos alegados para a retirada das crianças - a devolução dos menores só foi concretizada a 26 de Março deste ano. O MIRANTE acompanhou o caso desde a primeira hora. Nuno Antão, Vasco Cunha e António Campos, então deputados, interessaram-se pelo caso e solidarizaram-se com a família visitando a casa numa altura em que o desfecho do caso era incerto e escrevendo a 13 de Outubro de 2009, uma carta ao presidente da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Salvaterra de Magos, solicitando que fosse reavaliada a situação de forma a que os três menores pudessem voltar para a família."Esta iniciativa de solidariedade valoriza o Clube de Leitores de O MIRANTE e volta a dar visibilidade a um caso que sensibilizou milhares de pessoas. A associação Shorinji Kempo mobilizou-se e mobilizou a população e construiu, sem ajudas do Estado, uma casa para a família. A população fez uma vigília em frente à Segurança Social de Salvaterra de Magos em Novembro de 2009. O MIRANTE deu visibilidade ao caso mas a injustiça dos Serviços do Estado manteve-se durante meses e meses. Quem diz que a comunicação social é o quarto poder engana-se. Não temos qualquer poder. Não conseguimos minimizar o sofrimento da família. Agora queremos que situações destas não se repitam", disse Joaquim Emídio.O Director-Geral de O MIRANTE lembrou o comportamento dos responsáveis políticos que tutelam a segurança social. "A directora da Segurança Social de Santarém nunca falou sobre este assunto. A secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação a quem, por cortesia, dei conhecimento antecipado de uma carta aberta que lhe escrevi e que iria publicar no jornal, teve a deselegância de enviar um direito de resposta à mesma, antes de ela ser publicada, e dar ordens ao Instituto da Segurança Social para fazer o mesmo".A conta bancária de solidariedade foi aberta com 1.750 euros. É movimentada com as assinaturas de Marília Batista e de Nuno Monteiro da Shorinji Kempo. Uma parte da verba (250 euros) foi dada pela própria Caixa de Crédito Agrícola. O gerente do balcão de Salvaterra de Magos, José Manuel Moreira, explicou que aquela instituição não poderia ser indiferente ao pedido que lhe foi feito pela administração de O MIRANTE. "Somos uma entidade da área da economia social. É do nosso foro acompanhar estas situações. É uma obrigação. Acompanhámos o caso e não podíamos ficar insensíveis. Colaborámos com todo o gosto. Queremos que estas crianças tenham mais oportunidades na vida", afirmou. A postura da Caixa Agrícola foi elogiada pelo deputado Vasco Cunha. "É um bom exemplo. Os accionistas e clientes certamente ficarão satisfeitos por saberem que a instituição a quem confiam os seus bens está disponível para fazer este trabalho".Pressão sobre a família continuaApós a entrega das crianças à mãe, foi fixado um prazo de seis meses durante o qual a situação seria avaliada. Esse prazo, que terminou em Setembro foi alargado em dois meses e posteriormente em mais dois meses. Nuno Antão acha estranho o que se está a passar. "Há aqui uma pressão constante que o sistema público está a exercer sobre esta família que é completamente escusada e que não contribui nada para aquilo que nós enquanto sociedade queremos para as crianças, que é estabilidade emocional para poderem prosseguir a sua vida normal", disse a O MIRANTE.O ex-deputado socialista e actual adjunto da Governadora-Civil considera que no caso da família de Foros de Salvaterra, não houve falhas a nível da lei mas da sua aplicação. "A máquina não funcionou e transformou uma situação que aparentemente era simples de resolver numa brutal injustiça que ainda hoje tem reflexos na vida desta família", sublinha. O director executivo da Associação Empresarial de Santarém, Nersant, António Campos, que já exerceu o cargo de Director da Segurança Social de Santarém lamenta a injustiça cometida pelos serviços do Estado ao prolongarem a entrega das crianças à família de Foros de Salvaterra. "As instituições envolvidas neste processo, nomeadamente a Segurança Social, devem tirar uma ilação para o futuro. Tenho pena que isto tenha chegado onde chegou sem ter sido corrigido", afirmou. Com base na sua experiência defende a criação de uma entidade intermédia que faça uma avaliação da retirada de menores à família."Seria uma espécie de 'conselho de sábios' que poderia ajudar a corrigir alguns erros que as Comissões de Protecção pudessem cometer". O deputado Vasco Cunha confessa que ao longo do seu percurso político tem sido confrontado com situações tão bizarras que às vezes lhe custa acreditar no que vê. "Este caso é um desses exemplos. E por vezes, nem nós deputados nem o cidadão comum têm conhecimento de situações destas". Tanto ele como Nuno Antão e António Campos elogiaram o facto de O MIRANTE ter dado destaque ao caso.
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