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O cancro ensinou-o a contemplar o mar de maneira diferente

O cancro ensinou-o a contemplar o mar de maneira diferente

Depois de lutar contra a doença Luiz Silva aprendeu a dar mais valor à vida

A palavra “cancro” continua a assustar muita gente. Luíz Silva foi atingido pela doença aos 40 anos. Tão difícil como ultrapassar o cancro foi sofrer o estigma de social. Alguns amigos afastaram-se e as oportunidades de emprego também. É um homem renovado. Continua a amar a vida, mas agora muito mais intensamente.

Edição de 15.12.2010 | Sociedade
Luiz Silva, 48 anos, fica com as lágrimas nos olhos quando fala do cancro do cólon que o atingiu há oito anos. Demorou algum tempo até perceber que não estava a meio de um pesadelo. Era mesmo verdade. Só depois de aceitar a doença oncológica é que a começou o seu processo de cura. “Quem nunca passou por uma situação idêntica não sabe o que é por muito que tente imaginar. Nem os próprios médicos”, diz Luiz Silva, com a voz travada pela emoção. Viu muitos amigos desaparecer e a família nuclear a desmoronar-se. Vieram mais amigos, mas Luiz não consegue esconder a dor que sente no peito quando pensa nos que o abandonaram quando mais precisava. “Muitas pessoas não se desviaram por eu ter cancro mas por medo que eu lhes roubasse tempo à sua vida. Não estão dispostas a ajudar, a estender uma mão amiga, vivem para o seu umbigo”. Era serralheiro, reformou-se por invalidez porque já não tinha força para aguentar o trabalho. Neste momento é o homem dos três ofícios do Hospital de Reynaldo dos Santos, em Vila Franca de Xira. Além de ser utente da unidade de oncologia é ainda voluntário na associação oncológica e auxiliar da acção médica. Precisava de arranjar um segundo emprego para equilibrar as contas, mas não consegue porque não é capaz de omitir a doença cancerosa que o vitimou. “Hoje continua a existir falta de aceitação porque quando os patrões sabem que tive um cancro acham que passo a vida no Hospital e que vou faltar muito ao emprego. Mas nesta fase realizo apenas exames normais de rotina”, revela, acrescentando que nos últimos tempos enviou 22 currículos e não conseguiu ser arranjar trabalho. Desde que descobriu o cancro aprendeu a dar valor a muitas coisas que julgava pequeninas. “Já não me interesso, por exemplo, por ter um bom carro. Troco-o por um passeio na montanha”, conta. Diz que até sente os cheiros de maneira diferente. Sempre que pode gosta muito de ir até à praia para contemplar em silêncio o mar. Passaram oito anos, mas Luiz Silva ainda está a recuperar socialmente. Vive um dia de cada vez, sem pressas, com muitos sonhos e desejos para o futuro.
O cancro ensinou-o a contemplar o mar de maneira diferente

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