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Tecnovia não desiste de obter licenciamento para construção de cimenteira

Tecnovia não desiste de obter licenciamento para construção de cimenteira

Empresa manifestou intenção de voltar à carga com projecto para Rio Maior

Sessão de esclarecimento realizada sexta-feira na colectividade da Freiria, localidade mais próxima do local onde a empresa quer construir uma cimenteira, juntou cerca de 40 pessoas.

Edição de 15.12.2010 | Sociedade
O Grupo Tecnovia não vai desistir de construir uma fábrica de cimento em Rio Maior, num terreno com dez hectares integrado numa área de 100 hectares onde já funciona uma pedreira. Apesar do parecer desfavorável emitido pelo Ministério do Ambiente, alegando que a área de implantação do projecto se encontra classificada como Reserva Ecológica Nacional (REN), a intenção foi reiterada pelo assessor da administração do grupo, Hermínio Martinho, durante a sessão de esclarecimento realizada na noite de sexta-feira na Associação Recreativa de Freiria, localidade que fica a cerca de um quilómetro daquela exploração.Perante cerca de 40 pessoas, entre as quais os vereadores da câmara como Carlos Frazão e Sara Fragoso, o presidente da Junta de Rio Maior, Filipe Santana Dias, ou o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Rio Maior, Carlos Abreu, Hermínio Martinho garantiu que a Tecnovia vai tentar obter um despacho conjunto por parte dos ministérios do Ambiente e da Economia a reconhecer o interesse nacional da construção da cimenteira. “Se o secretário de Estado conhecesse o local não teria feito aquele despacho desfavorável. A pedreira já existia e estava licenciada quando a REN foi criada. O outro obstáculo é o terreno estar classificado no Plano Director Municipal de Rio Maior como indústria extractiva e não especificar o tipo de indústria, mas o Ministério da Economia já retirou os dez hectares que necessitamos para poderem vir a receber uma indústria de cimento. Acho que o projecto é tão obviamente importante para Rio Maior e para a região que se houvesse referendo seria um passo importante para resolver este assunto de uma vez por todas”, comentou Hermínio Martinho a O MIRANTE.A questão do referendo tinha sido colocada pelo presidente da Junta de Rio Maior. Filipe Santana Dias sugeriu a realização de uma consulta local para decidir o assunto da cimenteira e considera “ingrato” que possa vir a ser a Câmara de Rio Maior, em última análise, a decidir um processo complexo e para o qual não está preparada tecnicamente. “Se a Tecnovia obtiver os pareceres que pretende dos ministérios, a Câmara de Rio Maior fica com a batata quente nas mãos quando tiver de alterar o PDM”, comentou. Populares desconfiados Socorrendo-se da ajuda da coordenadora do estudo de impacte ambiental e de um engenheiro técnico, Hermínio Martinho mostrou ao público que a área da pedreira destinada à cimenteira possui um morro natural com 100 metros de altura e que o local tem todas as condições para receber uma fábrica. Lembrou que é ali que se encontra o calcário, matéria-prima essencial para a produção de cimento, e que, só o Grupo Tecnovia consumiu em 2010 mais de metade da produção da fábrica, que aponta para as 500 mil toneladas/ano. Os moradores da Freiria e de Rio Maior preferiram abordar a questão da poluição. João da Bernarda recordou que os efeitos negativos da produção de cimento, como o lançamento de poeiras para a atmosfera, são nocivos para as populações. Criticou ainda o facto de “a sessão de esclarecimento só se ter realizado quando a Tecnovia recebeu o parecer desfavorável do Ministério do Ambiente”, situação que Hermínio Martinho assumiu como responsabilidade sua. A empresa garante que o tráfego de camiões será aumentado em sete por cento por hora e que toda a área da fábrica será insonorizada, as máquinas e camiões lavados, os efluentes tratados em estação e as poeiras minimizadas. Gonçalo Santos, morador em Vale de Óbidos, lembrou a condição de produtor de agricultura biológica de Hermínio Martinho para salientar a contradição com a “causa” que defende. “São emitidos uma série de metais pesados para a atmosfera e o vento vai trazê-los para Rio Maior. Nem sabemos o que a cimenteira pode vir a queimar”, disse também o morador.Com a construção da cimenteira a Tecnovia propõe-se investir 100 milhões de euros, criar 98 postos de trabalho a recrutar localmente mais 30 trabalhadores especializados.
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