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Olinda Lourenço

Olinda Lourenço

41 anos, empresária, Tomar

Natural de Tomar, licenciou-se em Biologia na Universidade de Coimbra onde chegou a fazer carreira no mundo da investigação mas acabou por regressar para gerir a Papelaria e Livraria Nova, no coração da cidade templária. Confessa que o início não foi fácil mas conseguiu vencer os obstáculos e abraçar o negócio. Casada e com dois filhos pequenos, não se arrepende da decisão que tomou há 16 anos.

Edição de 15.12.2010 | Três Dimensões
Este negócio não estava, de todo, nos meus horizontes. Escolhi Biologia porque gostava muito de fazer investigação. Acabei o curso em 1991 quando já me encontrava a trabalhar. Fui assistente durante dez anos na Universidade de Coimbra. Entretanto, por circunstâncias da vida, regressei a Tomar e surgiu a hipótese de ficar com esta papelaria. De início não foi fácil, mas agora não me arrependo de ter deixado a investigação. Este negócio obrigou-me a contactar com muitas pessoas e passar a ser mais extrovertida.Assumi a gestão da “Papelaria e Livraria Nova” a 2 de Novembro de 1994. Existe desde 1971 e chegou a funcionar como tipografia. Optei por manter o nome que lhe foi dado pelo antigo proprietário, porque foi sempre conhecida assim em Tomar. Quando comecei eram quatro funcionários e actualmente são nove a trabalhar. Já é um barco grande (risos). Quando comecei, este espaço era apenas uma sala com seis metros de frente no qual vendíamos jogos, livros, artigos escolares e de papelaria. A primeira das mudanças que introduzimos foi abrir a cave ao público, em 1996, destinada à venda de material para artes plásticas. Sonhámos e crescemos. Os clientes queixavam-se da falta de espaço e decidimos ampliá-lo para uma melhor exposição dos artigos. Tivemos oportunidade de o fazer quando o centro de saúde saiu e estivemos em obras de 2007 a 2009, período durante o qual estivemos num espaço provisório. Hoje, temos uma livraria bastante grande na cave e a papelaria, tabacaria e venda de jogos em cima bem como materiais para artes e restauro. Recentemente apostamos na área da Saúde, abrindo uma parafarmácia que funciona ao lado da papelaria. Acho que é uma mais-valia para Tomar. Tentei orientar este espaço para que ficasse o mais moderno possível.Dedicação e trabalho de equipa são ingredientes para o sucesso. Já temos clientes de várias gerações e até das antigas gerências. Quando surgem situações desagradáveis tentamos resolvê-las da melhor forma quer interna quer externamente. Somos exigentes e sentimos falta de tempo para melhorar. Temos muito trabalho na parte da gestão. Fiz algumas formações em artes. Inicialmente tive necessidade de tirar algumas formações em artes para auxílio da parte comercial. Mais tarde tornou-se um passatempo muito interessante que me dá muito prazer. Sou uma pessoa calma, que gosta de gerir em equipa. Gosto de trabalhar em equipa e se assim não fosse não conseguiria trabalhar tantas horas. Gosto de programar o meu dia mas lido bem com imprevistos. Tento manter a calma e resolver a situação no mais curto espaço de tempo. Nunca me consigo abstrair totalmente deste negócio. Mesmo quando me ausento estou contactável. Tenho funcionárias que trabalham aqui há muitos anos e que me apoiam nesses momentos.Ocupo os meus tempos livres com os meus filhos. Acho que viajar é muito enriquecedor e gostava de viajar mais. Gosto de fotografia, de pintar, de ler. Infelizmente o tempo não chega para tudo. Conto com a cumplicidade do meu marido, João Patrício, que é professor e tem muita queda para as artes e espectáculos. O grande problema é conciliarmos a actividade profissional com a vida familiar, por isso procuro estar mais com os meus filhos.O meu lema passa por sentir que nada é eterno e que tudo na vida tem uma solução. Com trabalho e empenho tudo se resolve. A vida é redonda como uma esfera. Hoje tudo está bem, amanhã já não está. Como acredito na nossa origem divina, estamos cá com um propósito muito definido, portanto não há nada que não termine e não comece de novo. Temos que compreender que a vida é assim e por isso relativizar as situações. Se nos entregarmos muito aos problemas eles alastram-se mais. Esta atitude, que também aprendi com o tempo, tem-me ajudado não só na parte profissional como pessoal e também ajudando os outros.Elsa Ribeiro Gonçalves
Olinda Lourenço

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