O presidente astrónomo

Regressou ao concelho natal por via do Centro de Ciência Viva de Constância, a cuja direcção continua a presidir apesar de entretanto ter sido eleito presidente da Câmara Municipal de Constância pela CDU, sucedendo ao “dinossauro” António Mendes. Depois de anos ligado à ciência e a olhar o céu, o conhecido astrónomo teve de passar a ocupar-se de assuntos mais prosaicos e terra a terra como os buracos nas estradas ou a limpeza do espaço público.Máximo Ferreira, natural da aldeia de Montalvo, uma das três freguesias do concelho, vai-se adaptando ao trabalho autárquico, onde chegou completamente virgem ao nível da política. Divulgador da astronomia por todo o país, ascendeu na vida a pulso. Foi moço de recados numa metalúrgica aos 12 anos, sacristão e músico na adolescência, concretizou o sonho de ser electricista na Marinha, foi tripulante de submarinos, licenciou-se em Física e aposentou-se como professor universitário. Não abdica de ser o responsável pelo Centro de Ciência Viva de Constância. O trabalho é um vício para este homem de 63 anos que não consegue estar parado e que classifica a ignorância como uma fobia.O grande problema com que se deparou neste primeiro ano de mandato foi o do encerramento da ponte sobre o Tejo que liga o seu concelho ao de Vila Nova da Barquinha. Tem adoptado uma postura de firmeza nesse capítulo semelhante à do seu antecessor, que o desafiou a aceitar o desafio autárquico. “De início protestei um bocadinho”, confessou em entrevista a O MIRANTE.Mas os desafios propostos falaram mais alto e Máximo Ferreira embarcou na aventura de dirigir a nau autárquica até 2013. A adaptação, disse, foi menos difícil do que pensava. “É um tipo de vida diferente e, sob certo aspecto, até mais calma do que a que tinha antes”, refere o autarca que tem intenção de ficar na câmara pelo menos dois mandatos. Mas sempre sem largar de vez a astronomia.“Continuo a ser astrónomo e nunca se sabe o que vai ser o futuro. Tenho intenção de ficar na câmara pelo menos dois mandatos, porque no primeiro mandato não se vai conseguir fazer quase nada, apesar de algumas coisas estarem já encaminhadas e de pretender continuar o trabalho do executivo anterior. Mas há outras coisas que estamos a iniciar e que para serem feitas precisam de pelo menos dois mandatos. Depois disso quero ter saúde para continuar a trabalhar”, diz. Máximo Ferreira nasceu no seio de uma família humilde. Vive com a companheira na margem sul do concelho de Constância. Tem um casal de filhos, um geólogo e uma engenheira do ambiente, e duas netas. A política é um mundo que nunca o atraiu e onde caiu de pára-quedas. Considera-se um homem independente, com dificuldade em dizer “Ámen” a tudo o que os catecismos partidários defendem. As convicções religiosas foram mudando com o andar dos anos. Foi sacristão na adolescência, ateu no início da idade adulta e actualmente diz-se agnóstico. No futebol, é benfiquista “mas não muito sofredor”.

Mais Notícias

    A carregar...

    Edição Semanal

    Edição nº 1380
    05-12-2018
    Capa Vale Tejo
    Edição nº 1380
    05-12-2018
    Capa Médio Tejo