A política em Santarém nunca mais foi a mesma

Chegou, viu e venceu. Foi assim que Francisco Moita Flores entrou nas lides autárquicas em Santarém e o mínimo que se pode dizer é que, depois dessa vitória que destronou os socialistas da Câmara de Santarém, em 2005, a política local nunca mais foi a mesma. O seu discurso inflamado e recheado de adjectivação forte, que a oposição por vezes classifica de trauliteiro, gerou algumas antipatias até dentro do partido que o apoia, o PSD. Mas a verdade é que, no final do primeiro mandato, a população do concelho deu a Moita Flores e à sua lista uma esmagadora maioria absoluta na câmara, arrasando a oposição em todas as frentes.Escritor, comentador televisivo, criminologista e professor universitário, o ex-inspector da Polícia Judiciária nascido em Moura há 57 anos já anunciou que não se vai recandidatar à presidência da Câmara de Santarém para um terceiro e último mandato. Por vezes confessa que tem saudades dos seus alunos e quer ter mais tempo para escrever. E as guerras políticas não matam mas moem.Casado com a actriz e produtora Filomena Gonçalves, 3 filhos e três netos, Moita Flores nasceu em Moura “por acaso”, quando a mãe aí se deslocou para comprar algumas coisas para o enxoval para o bebé. As suas raízes estão em Barrancos, vila alentejana que ficou célebre pelos touros de morte. Orgulhoso das raízes alentejanas que se notam na forma calma, quase pachorrenta, como fala ou anda, é um acérrimo defensor da festa brava, tendo sido o promotor da petição que se propõe chegar às 100 mil assinaturas até Julho de 2011.Em criança dizia que queria ser polícia e escritor. Cumpriu as duas metas e outras mais. Licenciou-se em História, pós-graduou-se em criminologia, doutorou-se pelo Instituto de História e Teoria das Ideias da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Mas afirma-se sobretudo um escritor. Há meses surgiu nos escaparates o seu último romance, “Mataram o Sidónio!”. Nas artes a sua grande paixão é a leitura. Nos gostos é eclético. E não tem autor preferido. ”Gostava de ter a sensibilidade de Sophia, a força de Aquilino, adoraria ter a finura de espírito de Eça, a dimensão humanista de Soeiro Pereira Gomes, a complexidade de Antero de Quental ou de Fernando Pessoa. Sobretudo, gostaria de pensar como Hegel e tenho uma paixão do ponto de vista do pensamento e da filosofia por Leibniz. E gostava de ter o talento do mestre da língua portuguesa que foi o padre António Vieira ou de Camões”, confessou em entrevista a O MIRANTE publicada em 2005.Este sportinguista afirma-se como um homem de centro-esquerda, mas sem complexos de qualquer espécie por ser apoiado pelo PSD. Para ele as pessoas e os projectos estão acima dos partidos e foi por isso que integrou nas suas listas e nas suas equipas de trabalho elementos de outros quadrantes políticos.

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