Uma mão cheia de obras que mudaram a face da cidade mas não chegaram ao campo

António Rodrigues reconquistou a câmara de Torres Novas para o PS nas eleições de 1993, ponde fim a catorze anos de governação do PSD. Na altura era independente. Mais tarde inscrever-se-ia no PS onde chegou a presidente da Federação Distrital de Santarém.Ligado à Rádio Local de Torres Novas onde teve, antes de ser autarca, um programa semanal de informação e música, foi presidente do Clube Desportivo de Torres Novas e, já enquanto autarca, fundador de uma Liga Portuguesa de Futebol Não Profissional, sedeada em Torres Novas, que tem uma discreta e apagada existência. Há quem atribua o seu sucesso na política à exposição pública que tinha através dessas actividades.Polémico e com uma frontalidade a roçar a rudeza, raramente conseguiu manter uma boa relação com jornalistas e órgãos de comunicação em geral graças à sua tendência para tentar controlar o que era editado sobre si e de retaliar quando as notícias não lhe agradam. É considerado um homem de extremos em termos de trato. Vai rapidamente da delicadeza à má educação se o contrariam.Provavelmente graças a esses traços da sua personalidade, António Rodrigues pertence a um grupo de autarcas do distrito de Santarém que não se conseguem afirmar para além das fronteiras dos respectivos concelhos. Está a cumprir o seu último mandato devido à lei de limitação de mandatos, situação que não lhe agrada e que fez questão de contestar no momento próprio. Ergueu a sua voz para considerar que a lei era “anti-democrática e injusta” por visar apenas os presidentes de câmara e juntas de freguesia, e não a globalidade dos cargos políticos.Os seus opositores políticos reconhecem-lhe qualidades e obra feita embora discordem da opção de fazer a maior parte dos investimentos na cidade. O Palácio dos Desportos, o Jardim das Rosas, a nova Biblioteca, as requalificações das piscinas, do Teatro Virgínia e das avenidas 8 de Julho e Andrade Corvo, são algumas das suas obras mais emblemáticas. Faziam todas parte de um ambicioso programa chamado Turris XXI lançado em 2001. Por concretizar desse programa estão a torre no Rossio de S. Sebastião, cuja imagem ilustrava a capa do programa, o Centro de Ciência Viva e a adaptação do Convento de S. Francisco, onde durante anos funcionou o hospital, para receber os serviços municipais. A sua maior falha tem sido na área ambiental. Para além do betão, António Rodrigues nunca esqueceu a cultura. Para além da moderna biblioteca da cidade, a programação do Teatro Virgínia tem-se destacado no panorama da oferta cultural da região, embora devido às recentes restrições financeiras tenha vindo a perder a importância que chegou a ter.Um dos traços da sua gestão tem sido a interculturalidade. Amigo pessoal de Xanana Gusmão, tem participado no programa de organização autárquica de Timor-Leste. Simultaneamente tem desenvolvido de forma empenhada um programa de cooperação com o concelho de Ribeira Grande, na ilha caboverdeana de Santo Antão.

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