Uma mulher autarca em terra de campinos e marialvas

É uma mulher – Maria da Luz Rosinha – que dirige desde 1998 o concelho de Vila Franca de Xira, eleita pelo PS, conhecido como o partido da rosa. Combativa e frontal lidera com pulso firme um dos mais populosos municípios dos arredores de Lisboa. Conhece bem o terreno e as pessoas pois foi ali que nasceu e cresceu. Em 2009 o PS perdeu a maioria absoluta na câmara conquistada há oito anos. O aumento da população, que ultrapassou os 100 mil eleitores, ditou que o concelho tivesse direito a escolher onze vereadores em vez dos habituais nove, mas os dois novos eleitos foram ganhos para a Coligação Novo Rumo. O PS manteve os cinco que já tinha e optou por convidar eleitos da coligação para aceitarem pelouros, o que aconteceu.Maria da Luz Rosinha tem 62 anos, é casada, tem um filho e um neto. Iniciou-se na política como eleita de freguesia. Foi secretária da junta de freguesia, eleita na Assembleia Municipal de Vila Franca de Xira, deputada à Assembleia da República e também presidente da Junta Metropolitana de Lisboa. Durante a adolescência fez parte da Juventude Operária Católica do concelho. Trabalhou até 1995 como directora de serviços na firma A.J. Vassalo - Produtos Siderúrgicos. No dia a dia gosta de fazer longas caminhadas e almoçar com a família. Dorme cinco horas para estar à altura dos desafios e exigências do cargo. Tem qualidades de liderança e é uma pessoa preocupada com as questões sociais. Não se fica pelo trabalho de gabinete. Gosta de ouvir os problemas das pessoas, tal como não se faz de rogada na hora de fazer ouvir a sua opinião. “No dia em que vier uma pessoa falar comigo e eu achar que o assunto não tem importância esgotei o meu tempo”, disse em entrevista a O MIRANTE em 2007.Para Maria da Luz Rosinha ser presidente de câmara não é profissão. É missão. O marido e o filho – que desde cedo se habituou a acompanhá-la às reuniões políticas - são os seus maiores críticos. Já nos tempos de estudante se sentava na primeira fila para reivindicar os direitos dos meninos da Escola do Bacalhau. Não gosta de fazer a divisão entre homens e mulheres. Mas congratula-se por “elas” ocuparem cada vez mais lugares de liderança. A agenda, gerida ao minuto, ainda lhe permite fazer o que lhe dá prazer. Como uma sessão de massagem ou sauna a altas horas da noite. Depois de muitas horas passadas no gabinete. Lá, respira-se a mulher que lidera a autarquia com dinamismo, pontualidade, discursos curtos e palavras simples. A sua casa fica a dois passos da câmara e a ida para o trabalho é oportunidade para uma caminhada. Não precisa que lhe abram a porta do edifício. Seja às oito da manhã, quando chega à autarquia. Seja ao sábado ou ao domingo, quando vai fazer os despachos que a agenda da semana não permite. Uma manhã de sábado na câmara é um óptimo pretexto para uma passagem pelo mercado antes de cozinhar o almoço. Esta é tarefa que não delega. “Faz bem à alma”, confessou então.

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