uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
30 anos do jornal o Mirante

Gente modesta

Edição de 21.12.2010 | Opinião
O MIRANTE publica nesta edição duas entrevistas que fazem a diferença. Mira Amaral e Augusto Mateus trabalham em Lisboa, pertencem à elite que governou e governa o país, mas são duas pessoas que conhecem bem a realidade ribatejana e têm opiniões que nos interessam.Não é fácil promover o debate na região sobre as reformas das nossas instituições. Quem vive e trabalha por cá acomoda-se, governa-se, açafata-se e, seja no governo civil, seja nos institutos politécnicos, nas associações de municípios, ou na governação de algumas autarquias, os dirigentes não têm queda para o debate nem para pensarem em conjunto aquilo que nos ajudaria a fazer a diferença em relação a Lisboa e ao Porto.É público e notório a falta de coragem na discussão dos nossos problemas. O nosso grau de cidadania também não ajuda. Somos muitos a fazer barulho nas discussões caseiras mas quando é para dar a cara o anonimato é o nosso forte.De vez em quando há quem faça a diferença. Na segunda-feira, enquanto fechávamos a edição desta semana, caiu um telefonema na redacção a alertar para o fecho do balcão da Segurança Social de Santarém. O comunicado dos serviços, que alguém pendurou na porta é um bom exemplo do país em que vivemos e dos serviços públicos que nos servem. A nossa notícia não resolve o problema de quem ficou com o nariz colado na porta.Pode, no entanto, ser uma forma de pressão sobre aquele organismo que obrigue, em situações futuras, os seus responsáveis a serem mais cautelosos na forma de exercerem o serviço público a que estão obrigados.A Siemens anunciou a contratação de 100 novos colaboradores a breve prazo. Para os encontrar no mercado de trabalho pagou publicidade que anda a ser publicada em vários jornais. Dizem os seus responsáveis que procuram novos talentos “que gostem de aprender, que tenham a humildade de perguntar quando não sabem e que sejam pessoas abertas o suficiente para trabalharem com diferentes culturas”. Como é público e notório já não lhes interessam só os crânios que saem das universidades. Cada vez mais os empresários percebem que o ensino universitário é um embuste tendo em conta as novas necessidades das empresas. E os crânios não são muitos e os melhores preferem emigrar.A região tem dois politécnicos onde estudam cerca de oito mil alunos. O Politécnico de Santarém está de tal forma organizado que o maior adversário do presidente da instituição pode ser o presidente de uma das escolas. Só quem não quer é que não sabe que a Escola Superior de Gestão é presidida por um senhor que na sombra afronta como bem quer, e pode, a liderança, fraquíssima, até agora, do professor Jorge Justino, que voltou a um lugar onde não tinha deixado muitas saudades. No Politécnico de Tomar e de Santarém há alunos que dizem que alguns professores não passavam num exame do décimo segundo ano. Em Santarém e em Tomar as criticas à falta de qualidade do ensino e à organização das instituições faz as delícias dos velhos do Restelo.O debate sobre o país que somos e queremos ser devia começar nas instituições de ensino universitário e deviam ser os jovens, ajudados pelos professores, a contribuírem para o avanço da nossa modesta importância no mundo. Infelizmente, até para aprendermos com as grandes instituições de ensino universitário da Europa, parece que somos modestos demais. JAE

Comentários

Mais Notícias

    A carregar...