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Polémico empréstimo de tesouraria aprovado pela Assembleia Municipal da Chamusca

Foi preciso o vereador Francisco Matias “ameaçar” com o fecho da câmara durante um mês para que a oposição desse luz verde
Edição de 21.12.2010 | Política
Há 12 anos que a Câmara da Chamusca contraiu um empréstimo para fazer face às dificuldades de tesouraria. Daí para cá, em todos os finais de ano, volta a contrair novo empréstimo para pagar o contraído no ano anterior. Um ciclo vicioso que ameaça não ter fim e que foi agora contestado pelos partidos da oposição na assembleia municipal.O eleito do PSD, Rui Rufino, manifestou-se contra a contracção do empréstimo, propondo que fosse transformado num empréstimo de médio prazo, com menos encargos para a autarquia. O presidente da câmara, Sérgio Carrinho (CDU), respondeu garantindo que não é possível fazer essa operação. “É um empréstimo de tesouraria e só pode ser enquadrado como tal”. Acrescenta que já tinha sido negociado com o banco e já estava pronto para “matar” o do ano anterior. “Diminuímo-lo mesmo em 10 mil euros”, referiu.A oposição não aceitou os argumentos da maioria e manteve a sua posição de ver o empréstimo renegociado para um empréstimo de médio prazo. A ameaça de chumbo estava no ar. E o vereador Francisco Matias (CDU), dramatizou a situação. “Se a contracção for chumbada teremos que fechar a porta da autarquia, mandar os trabalhadores para casa, durante pelo menos um mês, e pegar no telefone e ligar para os bancos com quem negociámos o pagamento da dívida e para os fornecedores, a dizer-lhes que estamos fechados”.Esta dramatização não agradou aos elementos da oposição. Mas teve o condão de os fazer mudar de argumentos, partindo para uma proposta diferente. Queriam que o empréstimo fosse feito a seis meses e que durante esse tempo fosse feito um estudo para se encontrar uma solução para o problema. Mais ainda, tentaram que o presidente se comprometesse a garantir o pagamento do empréstimo até ao final do mandato.Sérgio Carrinho, manifestamente agastado, garantiu que seriam feitos todos os estudos que a assembleia quisesse, mas não aceitou fazer qualquer promessa quanto ao pagamento do empréstimo. E foi mais longe garantindo que “se o empréstimo for chumbado a tesouraria entra em ruptura completa”.A bancada do PS, que já tinha manifestado a intenção de votar contra a contracção do empréstimo, pediu um intervalo de 10 minutos para discutir o assunto em privado. O intervalo foi concedido. E no final voltou com outra disposição. “Como o presidente aceitou estudar o assunto, e a câmara não pode parar por completo, decidimos abstermo-nos neste ponto”. O empréstimo foi aprovado com os votos favoráveis da CDU e PSD e a abstenção do PS e BE.

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