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CP quer acabar com os comboios entre Setil e Coruche

CP quer acabar com os comboios entre Setil e Coruche

Medida equacionada um ano depois de ter sido reactivado o transporte de passageiros

Intenção está inscrita no plano de actividades da empresa pública para 2011, com o objectivo de “adequar a oferta à procura”. Os três municípios agregados ao projecto esperam por esclarecimentos em reunião com secretário de Estado dos Transportes.

Edição de 21.12.2010 | Sociedade
A CP prevê suprimir o tráfego de comboios de passageiros na linha de Vendas Novas entre Setil (Cartaxo) e Coruche, devido à reduzida procura do serviço reactivado em Setembro de 2009 e que abrange três municípios: Cartaxo, Coruche e Salvaterra de Magos. A medida faz parte do Plano de Actividades e Orçamento da CP para 2011 no que respeita ao quadro de objectivos referentes aos Comboios Regionais.Os autarcas dos concelhos envolvidos no projecto de reactivação da linha mostram-se preocupados com essa possibilidade mas aguardam por esclarecimentos da tutela. O presidente da Câmara de Coruche mostra-se prudente em relação ao caso. Dionísio Mendes (PS) falou sobre o assunto na assembleia municipal realizada sexta-feira, respondendo a questão colocada pelo deputado do PSD, Francisco Gaspar. Dionísio Mendes afirmou que, a confirmar-se a supressão dos comboios, será uma situação “lamentável”, considerando como um investimento e não um custo o projecto. O autarca remeteu esclarecimentos para depois de reunião com o secretário de Estado dos Transportes que esteve prevista para dia 15 e que os três municípios estão a tentar reagendar.Com 18 passageiros por dia na estação do Setil a fazer uso da linha, o vice-presidente da Câmara do Cartaxo, Paulo Varanda (PS), admite que a supressão do serviço iria afectar alguma população a sul do concelho e a aposta da câmara em dispor do comboio como meio de transporte sustentável do ponto de vista ambiental. “O protocolo só termina em Setembro de 2011. Estamos a tentar que os termos sejam cumpridos, como a melhoria das casas de banho da estação do Setil, da própria estação, da passagem superior sobre a linha e do conforto dos passageiros enquanto esperam pelo comboio”, adianta o autarca. Lembra ainda que se está também a tentar garantir a criação de um passe único até ao Setil com melhor tarifário. A Câmara de Salvaterra de Magos já tinha manifestado a O MIRANTE que, em devido tempo, fez sentir à CP da necessidade de implementar rapidamente a “optimização de horários, alargar a zona suburbana de Lisboa com a criação de um passe único, sob pena de poder comprometer a continuidade do serviço”. O MIRANTE contactou via e-mail a CP para saber o que leva a empresa a querer suprimir a linha e saber dados sobre o número de passageiros e prejuízos de exploração, mas não obteve resposta até ao fecho desta edição.Um ano de intermitênciasRecorde-se que o serviço de transporte de passageiros entre Coruche e o Setil foi reactivado em 15 de Setembro de 2009, fruto do protocolo acordado entre a CP, a Refer e os municípios de Coruche, Cartaxo e Salvaterra de Magos em 22 de Julho desse ano. O serviço, que estava desactivado desde 2004 por falta de rentabilidade, funciona com dez circulações diárias nos dias úteis (cinco em cada sentido), e seis comboios aos sábados (três em cada sentido), com paragens também em Marinhais e Muge (Salvaterra de Magos). A reactivação da linha implicou um investimento de cerca 430 mil euros por parte da REFER, para a realização de trabalhos de adaptação das estações envolvidas. Intervenções que as câmaras garantem que estão por fazer. A CP suporta 50 por cento do custo de exploração do serviço, calculado em 49 mil euros mensais. A cada um dos três municípios compete pagar cerca de sete mil euros mensais à CP, correspondentes a 16,66 por cento. Pelo meio, em declarações ao jornal Público em Agosto deste ano, o novo presidente da CP referia que as três autarquias não estavam a cumprir os pagamentos mensais previstos da sua parte dos prejuízos de exploração da linha. Uma posição que desagradou aos autarcas que recordaram que por parte da CP e da Refer estão por fazer intervenções de beneficiação na área das estações. Às autarquias cabe ainda, no âmbito do protocolo, garantir as acessibilidades entre as estações e os serviços de transportes, sejam eles municipais ou por operadores privados, a par da manutenção e conservação dos espaços, a sua limpeza e vigilância pública.
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