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Motorista da Câmara de Alpiarça que atropelou colega responde por homicídio por negligência

Motorista da Câmara de Alpiarça que atropelou colega responde por homicídio por negligência

Herdeiros da vítima chegaram a acordo com companhia de seguros para receberem 200 mil euros

O caso ocorrido em Abril de 2008 era para começar a ser julgado em Outubro no Tribunal de Almeirim, mas o julgamento teve que ser adiado dois meses devido ao atraso na entrega do relatório de uma peritagem.

Edição de 21.12.2010 | Sociedade
O condutor do camião de recolha de lixo da Câmara de Alpiarça que em 2008 atropelou mortalmente uma colega funcionária da autarquia, que seguia de bicicleta para o trabalho, conduzia sem a atenção que devia ter, segundo o entendimento do Ministério Público, que acusa o motorista de 44 anos de um crime de homicídio por negligência. O caso está a ser julgado no Tribunal de Almeirim. Os herdeiros, marido e dois filhos menores, de Maria Adélia Rosa pediam uma indemnização de 545 mil euros por danos morais, perda do direito à vida e perda de rendimentos futuros. Mas chegaram a acordo com a seguradora Fidelidade Mundial para receberem 200 mil euros. No entender do Ministério Público, o arguido actuou com falta de previdência. E incorre numa pena que pode ser de multa ou de prisão até três anos. Pode ainda ser proibido de conduzir por um período entre três meses e três anos. O acidente ocorreu no dia 22 de Abril de 2008 por volta das 07h30 na zona de Casal Cambique, na localidade de Casalinho, concelho de Alpiarça. Na altura Maria Adélia Rosa, com 29 anos, estava a acabar de ultrapassar o veículo do lixo que estava parado a recolher um contentor. Mas o camião arrancou repentinamente e bateu na bicicleta. A vítima caiu ao chão e morreu esmagada pela roda do camião. Segundo o Ministério Público, quando o motorista do camião iniciou a marcha não se certificou que não existiam outros veículos a circular naquele local. Pelo que, diz a acusação, violou a obrigação de não avançar “sem adoptar as precauções necessárias para evitar qualquer acidente”. Na investigação concluiu-se que no momento em que o pesado iniciou a marcha, o motorista olhava para o lado direito, pelo espelho retrovisor, estando atento ao sinal para avançar do seu colega que tinha como função colocar os contentores no elevador da traseira do camião para serem despejados. Julgamento adiado por atrasos na peritagemO julgamento era para se iniciar no dia 11 de Outubro, mas a audiência foi adiada porque o tribunal ainda não tinha recebido o relatório da peritagem aos vestígios do acidente. Este tinha sido pedido em Maio de 2008 ao laboratório de polícia criminal. Dois anos depois o tribunal insistiu. No dia marcado para o julgamento, a magistrada do Ministério Público, referindo que tal prova é imprescindível, pediu que se fizesse um contacto telefónico com o laboratório. A resposta foi que o relatório estava em elaboração e que por via da falta de meios humanos se previa que este estivesse concluído em Novembro, o que acabou por acontecer. Recorde-se que Maria Adélia Rosa estava a trabalhar na autarquia ao abrigo de um programa do Instituto de Emprego e Formação Profissional dirigido a pessoas carenciadas. Na altura do acidente dirigia-se para a secção de águas onde estava a prestar serviço. A câmara comunicou a ocorrência no mesmo dia à companhia de seguros e disponibilizou apoio à família, em especial aos filhos, através das assistentes sociais e psicólogos da autarquia, tendo informado também a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens. O acidente deu-se, segundo a investigação, numa recta com boa visibilidade e aquela hora fazia bom tempo e havia boa luminosidade.
Motorista da Câmara de Alpiarça que atropelou colega responde por homicídio por negligência

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