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Mário Dias Coelho

Mário Dias Coelho

54 anos, director geral da Santagri, Santarém

De segunda a sexta-feira o director geral da Santagri, em Santarém, veste fato e gravata. O escape chega ao fim de semana com os passeios de bicicleta e moto 4 pela aldeia de Santo Estêvão, no concelho de Benavente, onde tem uma casa. A cozinha, espaço onde mistura ervas aromáticas, é outro dos prazeres. Mário Dias Coelho, 54 anos, é casado com uma economista e tem um filho de 19 anos. Vive em Lisboa, mas agora o campo é a paixão que está a aprender a saborear.

Edição de 21.12.2010 | Três Dimensões
Nasci em São Sebastião da Pedreira, Lisboa. Fui morar cedo para os Olivais. O meu pai era técnico de contabilidade de uma grande empresa em Lisboa. A minha mãe era doméstica. Depois de casar fui viver para Benfica onde ainda vivo hoje. Tenho um filho com 19 anos que já está na faculdade.É um privilégio viver fora de Lisboa. Hoje estou mais farto da capital do que estava na minha infância. Em miúdo jogava à bola e brincava ao berlinde. Fiz carrinhos de esferas e andava de bicicleta. Tive uma infância normal. Era uma época diferente. Não tínhamos a pressão dos automóveis, das pessoas, das drogas nem dos crimes. Eram vivências sociais muito puras. Passo os meus fins-de-semana em Santo Estêvão [Benavente]. Tenho uma casa de campo onde me sinto bem. É uma satisfação ter um tractor para brincar, perceber como se faz uma horta, acender o lume. Faço tudo aquilo que não se pode fazer na cidade. São sabores de que nunca me tinha apercebido. Há pessoas que preferem ter casas de fim-de-semana no Algarve. A nossa opção foi ter uma casa no campo rodeada de muita terra, árvores e água. Habituei-me a ir à praça e à mercearia. Vou buscar os ovos e as couves e procuro os produtos caseiros, como as galinhas de campo, que na cidade nunca sabemos se são genuínos. Adoro andar por caminhos de terra. Seja de moto 4 ou bicicleta. É o desbravar caminho, conhecer novas realidades. Tenho uma pessoa que me trata de relva e que me ensina como se cultivam as árvores de fruto. Tenho aprendido e sou eu que cuido da horta ao sábado e domingo. Ao fim de semana sou o cozinheiro lá de casa. Adoro inventar. Comprei o livro do chef Henrique Sá Pessoa porque o ouvi dizer numa entrevista que em Portugal usávamos muito o sal e pouco as ervas aromáticas, que em Santo Estêvão temos muito. Nos pratos que faço cruzo uma série de sabores. Saem coisas que já não consigo repetir. Pelo menos para mim têm um gosto fabuloso.Passei pelos fuzileiros. Quando entrei já frequentava a faculdade e por isso fui para o curso de oficiais. Era duro, mas hoje reconheço que foi uma excelente escola. Cresci e aprendi conceitos que me ajudam a nível profissional a gerir pessoas e sensibilidades e a perceber motivações.Fui trabalhador-estudante. Fiz o bacharelato no Instituto Superior de Economia de dia e no quarto ano decidi ir trabalhar. Estive dois meses numa empresa de computadores e, como o meu sonho foi sempre trabalhar nos automóveis, entrei em Maio de 1980 para o grupo onde ainda estou hoje. No concurso participaram mais de duzentas pessoas. Só havia três vagas. Acabei o meu curso à noite, o quarto e quinto ano do ramo de gestão, sempre no grupo.Gerir empresas é gerir pessoas. Seja na administração hospitalar ou na gestão de empresas de automóveis. Se conseguir gerir todos os colaboradores de uma forma pró-activa tem 50 por cento do sucesso garantido. A roda está inventada, não há grandes segredos. Se conseguir que o factor humano esteja do seu lado tudo o resto se torna demasiado simples. Sou director geral de três empresas do mesmo ramo e do mesmo grupo. No total tenho cerca de 180 colaboradores.Ninguém é insubstituível. Nós enquanto pessoas somos o ser mais insignificante ao cimo da terra. Costumo dizer aos colaboradores que as estrelas estão todas no céu e insubstituíveis no cemitério. O trabalho só é de equipa. O trabalho individual é uma pura fantasia.O meu primeiro carro foi um Datsun 1600. O meu pai ofereceu-mo quando eu já estava na faculdade. No princípio do ano ofereci um Golf ao meu filho, mas disse-me que preferia um Smart para levar para a faculdade por causa dos problemas de estacionamento. Ando num carro de serviço Audi A7. Tenho o privilégio de poder utilizar os carros de lançamento. À sexta-feira se não tiver reuniões não uso gravata. Dá-me liberdade. Sinto-me outra pessoa. Temos que nos saber enquadrar no momento em que estamos, seja a usar mangas de camisa ou mangas de fato de macaco. Não devemos embandeirar em arco. Hoje sou director geral mas tenho o mesmo relacionamento com as pessoas que tinha na altura em que entrei, há mais de 30 anos, para a empresa como terceiro escriturário. Ana Santiago
Mário Dias Coelho

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