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Comunidade chinesa do Porto Alto revoltada com insegurança

Comunidade chinesa do Porto Alto revoltada com insegurança

Morte a tiro de um comerciante no dia 19 desencadeou uma manifestação frente à GNR de Samora Correia

A comunidade chinesa do Porto Alto, concelho de Benavente, queixa-se de falta de segurança. A morte de um comerciante a tiro durante um assalto a um armazém desencadeou uma manifestação frente à GNR de Samora Correia na semana passada. Guarda Nacional Republicana diz que a culpa é da comunidade que é “fechada” e não aceita as “sugestões” das autoridades.

Edição de 28.12.2010 | Sociedade
A morte de um comerciante a tiro, durante um assalto a um armazém, no dia 19 de Dezembro, levou a comunidade chinesa do Porto Alto, concelho de Benavente, a manifestar-se frente ao posto da GNR de Samora Correia, no dia seguinte, reclamando mais segurança. A acompanhá-los uma representante do Cônsul da China.A GNR garante que já reuniu várias vezes com comerciantes chineses e queixa-se de que a comunidade não aceita as sugestões das autoridades. “A comunidade chinesa é a maior culpada dos assaltos que acontecem porque é muito fechada e desorganizada”, revela fonte da GNR de Samora Correia. Um dos problemas óbvios que destaca é o nome dos armazéns em chinês. “Já pedimos várias vezes para darem nomes portugueses aos armazéns ou então colocarem um número, de modo a que consigamos elaborar um mapa e em caso de urgência chegarmos mais depressa ao local. Numa área que tem imensos armazéns, como é que vamos descobrir onde está aquele que tem o nome que soletram?”, interroga a mesma fonte. Alguns armazéns já contrataram segurança privada para o período da noite, mas mesmo assim são poucos. Fonte da GNR de Samora Correia lembra que têm por ano “cinco ou seis ocorrências com a comunidade chinesa” acrescentando que as ourivesarias inspiram mais motivos de preocupação. É difícil chegar à conversa com os cidadãos de nacionalidade chinesa. Os que não participaram na manifestação têm medo de dar a cara e recusam-se a indicar o nome, com medo de sofrer represálias por parte dos assaltantes. “A polícia não vem muito aqui. É preciso haver maior patrulhamento, especialmente à noite. É normal termos medo, o negócio está difícil, as vendas correm mal e se nos assaltam o pouco que temos ainda pior”, conta uma comerciante. Também não deixa tirar fotografias. Um cão de grande porte é o responsável pela segurança de um dos armazéns durante a noite. Uns metros mais à frente, entramos noutro armazém e as palavras do proprietário são as mesmas: “A polícia devia passar mais vezes por aqui para garantir a nossa protecção”. Um trabalhador de uma loja chinesa de calçado domina o português e é com mais à vontade que fala sobre o que se passa, com o compromisso de que não se revele a identidade. “Não existe qualquer tipo de segurança. Os armazéns chineses sempre foram os mais assaltados aqui da zona. Há pouco tempo assaltaram um armazém e levaram mais de 100 caixas de sapatos. Como é que a GNR perde o rasto a tanto material? Os ladrões já sabem que podem assaltar à vontade os chineses porque não lhes vai acontecer nada. Pensam que temos muito dinheiro, mas como em todo o lado há de tudo”, conta. Julien Kuoyung, um jovem de 26 anos que esteve presente na manifestação do dia 20 de Dezembro não tem medo de dar a cara. “São muitos os armazéns chineses assaltados nas redondezas. Um restaurante chinês foi assaltado pela segunda vez num espaço de tempo muito curto e no segundo dia os ladrões já estavam cá fora. Como é que podem ter medo assim?” pergunta o jovem que teme especialmente o período entre as 17h00 e as 19h30. “Ontem fiz um barulho repentino com uma caixa do lixo e uns comerciantes que estavam mesmo ao lado deram um grande salto. Nota-se que andam cheios de medo desde a morte do colega”, conta na rua uma funcionária da Junta de Freguesia de Samora Correia enquanto varre as ruas.O presidente da Câmara Municipal de Benavente, António José Ganhão (CDU), diz que não recebeu qualquer queixa por parte dos comerciantes do concelho. A polícia judiciária está a investigar o caso do comerciante morto a tiro durante um assalto realizado por quatro homens armados a um armazém. O funeral realizou-se na passada quarta-feira, 22 de Dezembro.
Comunidade chinesa do Porto Alto revoltada com insegurança

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