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Histórias de polícias que estão de serviço quando os outros festejam

Histórias de polícias que estão de serviço quando os outros festejam

Passar o ano a guardar um armazém cheio de cerveja foi um dos episódios

Vítor Lopes e José Espadinha são dois agentes da PSP de Santarém a quem já calhou trabalhar na passagem de ano.

Edição de 28.12.2010 | Sociedade
Já se imaginou a fazer a passagem de ano sozinho num armazém rodeado de milhares de garrafas de cerveja? Pode parecer uma fantasia difícil de concretizar, mas não para o agente principal da PSP de Santarém, Vítor Lopes. Quando deram as doze badaladas de entrada no novo ano nas várias festas da região havia quem desse o primeiro gole de álcool do ano e o polícia no meio de muitos litros de cerveja sem poder abrir sequer uma mini para festejar. Primeiro porque a sua missão era guardar o produto que estava dentro das instalações que tinham sido assaltadas. Depois porque não gosta de beber sozinho nem é grande apreciador da bebida que se faz à base de cevada.O caso passou-se há uns anos. Numa fria noite faltavam poucas horas para fechar o ano quando a esquadra da PSP de Santarém recebe uma chamada a dar conta que tinha sido assaltado o armazém de uma empresa de distribuição da Sagres, perto da estação do caminho-de-ferro. Vítor Lopes estava para sair do turno às 19h00 e preparava-se para ir fazer a passagem de ano em casa com a família quando recebeu a notícia. Foi requisitado para fazer o serviço e ficou a trabalhar até às quatro da manhã. Os familiares já estão habituados a situações deste género nos 18 anos que leva de polícia. Entrar no novo ano num local isolado, sem casas de habitação por perto e a ouvir os foguetes das festas não foi fácil. “Tive que me abstrair do facto de os outros estarem a comemorar e eu não”, conta. E não foi uma noite mais triste porque os colegas da patrulha foram passando de vez em quando no local para lhe dar alguma protecção e para que não se sentisse tão sozinho. Acabou por comer um pedaço de bolo-rei que tinham oferecido à esquadra e que os outros agentes lhe levaram. Passagens de ano em Santarém têm dado mais trabalho à PSPNessa altura, e tirando alguns casos raros como este, as noites de passagem de ano até eram calmas em termos de ocorrências. Mas desde que o presidente da Câmara de Santarém, Moita Flores, começou a organizar as passagens de ano na rua que o trabalho dos polícias tem aumentado. Que o diga o agente José Espadinha, que também já leva 18 anos de profissão e que prefere trabalhar nesta altura do que no Natal. “Tem havido mais confusão por causa dos copos a mais, mas as situações acabam por ficar controladas sem problemas graves”, descreve. O barulho é uma das queixas com que os polícias têm que lidar nestas noites de festa. Há dois anos o agente principal Espadinha foi chamado por volta da meia-noite à Praça Visconde Serra do Pilar, onde uma moradora estava indignada com o barulho da música da Orquestra Santos Rosa. Entretanto foi chamado para uma desordem no largo do Seminário onde estava outro palco da festa e um dos polícias teve que usar gás pimenta para controlar a situação. E teve que voltar à praça às quatro da manhã porque a mesma pessoa que se tinha queixado do barulho na rua agora estava incomodada com o ruído que vinha da habitação dos vizinhos. “Com muita paciência e diplomacia conseguimos resolver as situações”, realça José Espadinha, que nos últimos anos tem trabalhado em muitas das passagens de ano. “No Natal prefiro estar em casa com a família e no Ano Novo com a minha segunda família que é a polícia. Quem está nesta profissão tem que ter a noção que mais do que um trabalho temos uma missão”, justifica.
Histórias de polícias que estão de serviço quando os outros festejam

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