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Luís Garcia

Luís Garcia

37 anos, escritor e formador, Linhaceira (Tomar)

“Os presentes são fantásticos, porque são a forma mais ou menos encenada de levarmos um pouco de infância vida fora”

Edição de 05.01.2011 | Agora falo eu
Tem alguma superstição ou ritual que não dispensa?Aprecio o ritual muito mais do que a superstição, não que não as tenha, provavelmente teremos todos. Mas ocorre-me agora um ritual, mais ou menos recente (dois meses), que consiste em não sair de casa para trabalhar sem dar um beijo ao meu filho.Costuma aproveitar os saldos para fazer compras?Falámos de rituais anteriormente e na minha opinião os saldos encaixam na perfeição na categoria, pois por vezes (demasiadas) somos levados ao consumo de uma peça que na realidade só necessitamos pelo desconto que vemos anunciado. Eu não sou imune e gosto, se tiver oportunidade, de procurar uns dias antes uma peça que me agrade e depois quem sabe comprá-la a metade de um preço, que no meu juízo perfeito, não daria por ela.O que o incomoda mais no feitio dos portugueses?Incomoda-me a inveja. Francesco Alberoni escreveu um livro fantástico “Os Invejosos” onde afirma que uma das piores faces da inveja reside no facto de geralmente apreciarmos a queda de alguém que, por competência própria, atingiu objectivos que nós gostaríamos muito de olhar como nossos.Qual é a sua viagem de sonho?Com alguma ironia diria viagens na minha terra. Claro que num segundo mais ou menos pequeno ocorrem-me nomes como Nova Iorque, Tóquio, Praga e Moscovo. Mas no mesmo espaço de tempo alguém me poderia dizer que aquilo que procuro numa viagem tão longa provavelmente esteve sempre tão perto de mim que não me dei ao trabalho de tentar conhecer.Se estivesse isolado numa ilha durante uma semana, o que faria para passar o tempo?Escrever, claro, nem que fosse na areia, à beira mar. E com uma semana de marés pela frente, a mesma história escrita sete vezes e quem sabe no regresso a casa uma grande ideia para um novo livro.Qual foi o presente de Natal que mais gostou de receber?Presentes são fantásticos, porque são a forma mais ou menos encenada de levarmos um pouco de infância vida fora. A resposta era capaz de ser difícil, fosse ela formulada, por exemplo, noutro ano. Hoje não tenho dúvidas: tive um filho, que não sendo propriamente uma prenda, é de facto, sempre, o meu Presente.Costuma cumprir alguma tradição na passagem de ano?Gosto da tradição. Gosto de tudo o que me lembra as noites de passagem de ano com a família reunida junta à lareira. Gosto de me lembrar que ouvia à meia-noite o bater de tachos e panelas, mas não me lembro propriamente de fogos de artifício. Lembro-me, claro, das passas e continuo a seguir à risca a tradição.Qual é o seu maior projecto para 2011?Um dos meus objectivos passa por publicar o próximo romance, que ainda não tem nome, mas que já anda por aí entre os meus cadernos de apontamentos e o meu portátil.
Luís Garcia

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