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Matadores de toiros portugueses são “obrigados” a emigrar

Matadores de toiros portugueses são “obrigados” a emigrar

A legislação não permite a morte dos toiros na arena em Portugal. “É a mesma coisa que sermos taxistas, termos a carta de condução e não podermos guiar táxis, só podendo guiar os outros carros”, ironiza o antigo matador José Luís Gonçalves.

Edição de 30.05.2012 | Cultura e Lazer
Os matadores de toiros portugueses são detentores de uma carteira profissional que lhes confere a categoria de “matador”, mas são “obrigados” a emigrar porque em Portugal a legislação não permite a morte dos toiros na arena. Em declarações à Agência Lusa, o diestro José Luís Gonçalves, que tomou a alternativa de matador de toiros em Badajoz (Espanha), em 1994, lamentou esta situação, considerando todo o processo “caricato”.“É a mesma coisa de nós sermos taxistas, termos a carta de condução e não podermos guiar táxis, só podendo guiar os outros carros”, ironizou. O matador de toiros português, que dirige actualmente a Academia de Toureio do Campo Pequeno, em Lisboa, explicou que os matadores têm uma carteira profissional passada pelo governo espanhol e, em Portugal, possuem uma carteira que “confirma tudo”, mas que é passada pela Associação Nacional de Toureiros (ANT).“Quando vamos tourear em qualquer praça do nosso país, a Inspecção-geral das Actividades Culturais (IGAC) deixa as empresas anunciar-nos como matadores. Tudo isto é caricato”, considerou José Luís Gonçalves, acrescentando: “Este é o velho debate, o debate de toda a vida. Infelizmente, tomamos a alternativa fora do nosso país, em Portugal é nos permitido sermos acompanhados pela dita carteira profissional, mas não nos é permitido exercer a nossa profissão por completo”. Na opinião de José Luís Gonçalves, “falta cultura taurina”, bem como “conhecimento do campo e do toureio” por parte das entidades competentes para que a situação seja alterada.Em Portugal o único regime de excepção, onde é permitida a morte do toiro na arena é na vila alentejana de Barrancos (Beja), mas o jovem novilheiro (aspirante a matador) Manuel Dias Gomes espera ver esta situação “alterada” nos próximos anos. Novilheiro desde 2009, este jovem, de 21 anos, revelou que “sonha” tornar-se matador de toiros, mas tem “consciência” que terá que emigrar para “vingar” na sua profissão.“Para nos sagrarmos toureiros tem que ser em Espanha, onde está a verdade do toureio (sorte de varas e morte do toiro), mas lamento não poder exercer esta profissão no seu todo no meu país”, disse. “Quem sabe um dia a coisas não mudam”, avançou o jovem.Em Portugal existem várias escolas de toureio (formação para novilheiros), entre as quais se destacam as de Vila Franca de Xira, Lisboa (Campo Pequeno), Moita do Ribatejo, Alter do Chão e Santarém. Todas estas escolas contam com várias dezenas de jovens inscritos que sonham um dia tornar-se matadores de toiros.
Matadores de toiros portugueses são “obrigados” a emigrar

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