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Há várias feiras dentro da Feira Nacional de Agricultura

A Feira Nacional de Agricultura é cada vez mais um evento que pretende atrair diversos públicos. A forte aposta no programa musical é vista pelos mais puristas como um desvirtuar do espírito original da Feira do Ribatejo, mas é também uma forma de levar mais gente ao Centro Nacional de Exposições. O MIRANTE foi ouvir alguns empresários da região sobre a feira e sobre o estado da agricultura numa região onde o Tejo continua a ter um potencial por explorar na sua plenitude.

Paulo Neves, empresário, MarinhaisFaltam condições para fruição do TejoPaulo Neves, empresário de Marinhais, considera que o Tejo e as suas margens podiam ser melhor aproveitados. Dá como exemplo a realidade que se vive no concelho de Salvaterra de Magos. “As praias ou sítios ribeirinhos do nosso concelho, por exemplo, precisavam de ter mais condições para as pessoas usufruírem em piqueniques, zonas de lazer. Temos o Escaroupim com a marina e restaurante mas não chega”, refere.Entende que a agricultura do Ribatejo tem futuro, ou não estivéssemos nos terrenos mais férteis da Europa. “Falta vontade política de ajudar, de estudar os produtos a cultivar, ajudar os investidores a ter as melhores ideias e a saber se uma cultura tem capacidade de escoamento no mercado”, analisa. Para Paulo Neves a Feira Nacional da Agricultura junta o equilíbrio de uma feira agrícola com noites dedicadas aos concertos musicais e à animação. Diz que as entradas com direito aos concertos são um bónus mas que o custo dos ingressos, a seis euros, é elevado.Manuel Rafael, Adega Cooperativa da GouxaEspectáculos são fundamentais para atrair visitantes A Feira Nacional da Agricultura não é a mesma sem os milhares de visitantes que vão ao Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas, em Santarém (CNEMA), para ver espectáculos com artistas consagrados. Para o presidente da Adega Cooperativa da Gouxa (Alpiarça) os concertos contribuem com a presença de muitos espectadores que animam a feira em paralelo com outros que vão para apreciar as máquinas, os animais e fazer negócios. O presidente da Adega Cooperativa da Gouxa vê o sector agrícola com futuro na região. “O sector do vinho teve um ligeiro abaixamento devido à queda de preços mas está a crescer a produção de hortícolas como o tomate, beringelas, courgetes, cenouras, sinal de que os produtores têm conseguido reconverter culturas para obter apoios”, analisa Manuel Rafael. Vê o Tejo como referência e identidade da região, até no sector dos vinhos, onde ganhou alguma notoriedade com o nome do rio associado à região vitivinícola. José Farinha Mendes, empresário, SantarémA agricultura tem futuro no RibatejoJosé Farinha Mendes não tem pejo em reconhecer que a Feira Nacional da Agricultura vale hoje mais pelos espectáculos e pelo peso que estes têm nos milhares de visitantes que a procuram. Para o empresário a feira é hoje muito mais mediática quando comparada com a tradicional Feira do Ribatejo que esteve na sua origem. “Os concertos fazem falta para aparecer malta nova, mas os preços estão elevados quer para os expositores como para os visitantes. Os ingressos custam seis euros, o que não é fácil para uma família de três ou quatro pessoas”, refere.Para o empresário, o rio Tejo é sinal de fertilidade dos campos agrícolas do Ribatejo mas está cada vez mais prejudicado pelos transvases de água espanhóis e mal aproveitado em termos turísticos. “Na nossa zona a margem do Tejo está igual ou pior do que há 30 anos. Podiam ter-se realizado ligações pedonais desde S. Bento ou das Portas de Sol até à zona ribeirinha”, comenta.Para si, a agricultura tem futuro no Ribatejo, região de terrenos férteis, com alguma zona de latifúndio apoiada por mecanização. “Também se dizia que o olival não dava no Alentejo e os espanhóis tomaram conta dos campos. Não se deve estar sempre à espera”, sugere.Francisco Andrade, empresário, SantarémConcertos e artistas conhecidos garantem visitantes Feira Nacional de Agricultura sem artistas conhecidos não garante a mesma animação nem o número de visitantes desejado para um evento com o nível nacional e internacional que a feira tem. “Tenho uma tasquinha do Clube Desportivo, Recreativo e Cultural de Perofilho na feira desde há três anos e nota-se que os concertos trazem muito movimento. As pessoas vêem também às picarias, às exposições, mas não são as mesmas que dão a volta à feira para ver a agricultura e os cavalos”, diz Francisco Andrade, que também costuma ir pessoalmente um ou dois dias à feira ver o ambiente, algum artista que agrade, as largadas de toiros e a maquinaria agrícola a que também está ligado profissionalmente.Vê futuro na agricultura da região, sobretudo no sector dos hortícolas. “Ainda é o sector que consegue cativar alguns incentivos e penso que terá grande desenvolvimento nos próximos anos”, opina. Quanto ao peso do Tejo na região, diz que é identitário do Ribatejo mas que falta em Santarém a criação de um espelho de água para actividades desportivas e de lazer. Mário Faustino, comerciante, PernesConcertos deviam ser um complementoA zona ribeirinha do Tejo está como há 30 anos. Faltam estruturas e apoios para dar seguimento a tanto projecto falado no âmbito do aproveitamento turístico assim como da navegabilidade do rio. Mário Faustino diz que há, por isso, muito por fazer. Já o mundo agrícola no Ribatejo terá futuro caso haja a aposta nos produtos portugueses. “Depende muito do que façam os grandes grupos económicos ligados ao comércio que têm preferido comprar produtos mais baratos no estrangeiro”, comenta o comerciante.Mário Faustino recorda que é do tempo da Feira do Ribatejo e que os concertos se tornaram atracção principal, quando deviam ser um complemento. “Devia ser uma feira representativa do Ribatejo, da agricultura, do artesanato e das suas tradições. Até o Festival Celestino Graça desapareceu da feira”, lamenta Mário Faustino, que costuma ir almoçar ou jantar e ir ver uma garraiada. José Júlio Eloy, empresário, SantarémHá uma feira diurna e uma feira nocturna Para José Júlio Eloy existem duas feiras da agricultura: a diurna, à qual comparecem muitos visitantes vindos do norte e centro do país para apreciar os temas agrícolas, as máquinas e os animais; e uma feira nocturna, que reúne pessoas ao jantar, nos concertos e nas picarias, que chegam de Santarém e da região. “Ainda existe essa tradição, principalmente dos nortenhos, que vêm em excursão à Feira da Agricultura, como faziam durante a Feira do Ribatejo. Hoje existe menos maquinaria devido à crise mas tem-se conseguido manter uma grande aposta na exposição de animais”, refere o administrador da Agro-Ribatejo.Para o empresário de Santarém ligado à maquinaria agrícola, a agricultura tem futuro no Ribatejo, especialmente a ligada ao regadio. Já o rio Tejo continua a ser a alma da região mas ainda tem muito para ser aproveitado em termos turísticos e de navegabilidade.

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