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Imigrante acusado de degolar a mulher queria ter um filho para se legalizar

Imigrante acusado de degolar a mulher queria ter um filho para se legalizar

Mãe da vítima referiu em tribunal que a recusa da filha em engravidar motivava discussões entre o casal

Um guineense que estava ilegal em Portugal foi acusado de ter morto a esposa no dia 11 de Setembro de 2011 na casa onde viviam, em Samora Correia.

Edição de 30.05.2012 | Sociedade
O imigrante guineense acusado de degolar a mulher, uma jovem de 23 anos, no ano passado em Samora Correia, Benavente, terá cometido o crime porque esta não queria ter um filho dele. Esta é a versão contada pela mãe da vítima na primeira sessão do julgamento a decorrer no Tribunal de Benavente. A mãe da vítima, Rosa Bié, referiu que Bouna Sackho pensava que ao ter um filho conseguiria mais rapidamente legalizar a sua situação de imigrante em Portugal. O arguido diz que não teve intenção de matar a mulher e que o que aconteceu foi um azar, não sabendo explicar bem os pormenores que levaram ao crime. A vítima, Helmina Biem, recusava ter um filho porque queria continuar a estudar e também não tinha condições económicas. Este facto terá contribuído para constantes discussões entre o casal. Segundo a acusação, no dia 11 de Setembro de 2011 o arguido envolveu-se em mais uma discussão com a mulher. O acusado referiu no julgamento que a mulher é que pegou primeiro numa faca para o agredir, dizendo que foi atingido no peito. A pedido do colectivo de juízes mostrou as quatro cicatrizes no pescoço e peito que diz terem sido provocadas pela vítima. Segundo Bouna Sackho, a discussão agravou-se depois de a esposa o ter confrontado com os números de outras mulheres que encontrou no seu telemóvel. O arguido diz que pegou numa faca para fazer com que Helmina largasse a que tinha na mão. Os dois envolveram-se depois numa luta e Bouna Sackho não soube explicar o que aconteceu. “Nunca foi minha intenção fazer-lhe mal. Foi uma coisa que aconteceu”, justificou. A mãe da vítima referiu que sempre se opôs ao casamento e que este só aconteceu porque o guineense queria obter os documentos para se legalizar, conseguindo convencer Helmina. Só depois de casarem, em 2009, é que o arguido descobriu que precisava de estar casado pelo menos há três anos para obter a nacionalidade portuguesa e acreditava que o processo seria mais rápido se tivessem um filho. “A minha filha nunca quis porque queria continuar a estudar e como era a única que trabalhava o dinheiro mal chegava para pagar as despesas”, contou a mãe. Rosa Bié revelou ainda um episódio que aconteceu uma semana antes da morte. Helmina ligou à mãe a pedir ajuda porque queria ir trabalhar, mas o marido não a deixava. A melhor amiga da vítima revelou em tribunal que o arguido já tinha pegado numa faca para ameaçar a esposa, abusava dela sexualmente e dava-lhe murros e pontapés. Segundo a acusação do Ministério Público, Bouna Sackho esfaqueou Helmina Biem várias vezes no pescoço, acabando por a degolar. A vítima sofreu também ferimentos na zona do dorso e nos membros superiores, acabando por morrer. Foi encontrada nua no quarto do casal. Bouna Sackho está em prisão preventiva acusado de um crime de homicídio qualificado. Estabelece o Código Penal que se a morte for produzida em circunstâncias que revelem especial censurabilidade ou perversidade, o autor é punido com uma pena de prisão de 12 a 25 anos. É susceptível de revelar especial censurabilidade ou perversidade o facto de se praticar o crime contra cônjuge ou ex-cônjuge.
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