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Um campino com muitas histórias para contar

António “Colorau” tem em casa uma colecção de mais de 140 troféus

António “Colorau”, 71 anos, trabalha em Vale de Figueira, Santarém, e foi o campino homenageado sábado, em Vila Franca de Xira, numa das cerimónias mais solenes da festa do Colete Encarnado.

Edição de 06.07.2011 | Cultura e Lazer
Vai muitas vezes à televisão contar as experiências de vida e os valores adquiridos de um verdadeiro campino. Diz que fala sempre verdade mas nunca conta tudo. António Maria Abreu, mais conhecido por António “Colorau”, foi o campino homenageado na festa do Colete Encarnado na cerimónia realizada na tarde de sábado, 2 de Julho, em Vila Franca de Xira.Não sabe muito bem de onde vem o nome “Colorau”, mas pensa que seja do tio que bebia pouca água e era muito encarnado. O nome acabou por colar-se a toda a família e o campino foi baptizado como António “Colorau”. Nasceu na Casa Emílio Infante da Câmara onde trabalha até hoje, em Vale Figueira, concelho de Santarém. Largou a escola aos nove anos para ajudar o pai, maioral de ovelhas da casa. Tinha 14 anos quando foi trabalhar como cocheiro em Alpompé e foi nessa altura que começou a lidar com o gado acompanhando a tralhoada e os campinos da casa às festas e feiras onde os seus préstimos eram necessários. Ficou encarregue do gado existente na casa e também dava uma ajuda na Quinta do Castilho, propriedade dos primos onde trabalhava um irmão. Manteve sempre uma óptima relação com o patrão, o que lhe permite manter os próprios cavalos, a roulotte e a camioneta na casa. Do alto dos seus 71 anos conta a rir-se algumas das peripécias que já passou a lidar com os toiros. “Estávamos a enjaular os toiros para uma corrida e o terreno, de areia, tinha buracos. O cavalo pôs um casco num buraco e caí. Levantou-se uma poeira, o cavalo fugiu para um lado, desviando a atenção do toiro e eu saí a gatinhar para outro lado”, conta. Tem pena de não ter conseguido transmitir o mesmo gosto aos filhos, que nem sabem andar a cavalo. Para si não existem bons campinos sem bons cavalos. O respeito que tem pelos cavalos é imenso e já viu a sua vida ser salva por eles em diversas ocasiões. Desde a Corrida Livre até à Gincana dos Fardos, passando pela Condução de Cabrestos, já conquistou inúmeros prémios. Em casa tem mais de 140 taças e a esposa não tem mãos a medir para limpar o pó a tanto troféu. Participa nas Festas do Colete Encarnado há mais de 20 anos e esteve presente na sessão de inauguração da Ponte Marechal Carmona.

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