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Contemplativo Manuel Serra d’Aire

Edição de 06.07.2011 | E-mails do outro mundo
Começou o Verão e com ele chegou a chamada silly season. Aquela altura do ano em que os telejornais se enchem de banalidades como as reportagens em directo das praias cheias de gente a apanhar escaldões, as entrevistas aos hoteleiros a queixarem-se do negócio ou as goleadas do Benfica contra equipas amadoras na pré-epoca. É nesse contexto pouco ortodoxo, digamos assim, que devemos entender as declarações do presidente da Câmara Municipal de Santarém, também ele um homem da comunicação social, quando se abespinha e desata a bombardear os opositores com adjectivos pouco abonatórios. Moita Flores não gosta, por exemplo, que um tema dramático como o das dívidas da autarquia que lidera seja tema de conversa de vadios. Ainda por cima na mesma altura em que lança um novo romance chamado “A Opereta dos Vadios”, que é apresentado como uma sátira política sobre um país falido. E Moita Flores também não gosta que os presidentes de junta vão para a assembleia municipal falar dos buracos nas ruas das freguesias, no que tem toda a razão, porque podendo parecer à primeira vista um assunto menor remete para outros buracos. E quando se fala de buracos lá vem à memória a dívida do município e a vadiagem que se entretém a discutir tão funesto assunto...Não deixa de ser curiosa esta coincidência de Moita Flores trazer os vadios à liça precisamente na altura em que lança “A Opereta dos Vadios”. Isto é marketing do melhor que tenho visto. E de borla. Embora o autarca-escritor tenha aberto uma caixa de Pandora com esta história de satirizar um país falido em forma de romance. Imagina se algum colega escritor começa a parodiar sobre autarquias falidas. O filão que não tinha? Era uma colecção e peras. Felizmente ainda ninguém se lembrou disso.Ouvi dizer que na Câmara Municipal da Chamusca há funcionários que já fizeram mais de 500 horas extraordinárias num ano. A ser verdade, quando a austera chanceler alemã vier com teorias sobre a nossa capacidade de trabalho deve ser obrigada a visitar a Chamusca e conhecer pessoalmente gente que consegue fazer uma média de 40 horas semanais de trabalho extra. Ou seja, na prática mais uma semana de trabalho mensal para além do previsto. Claro que esta entrega ao ofício, este pundonor germânico que anima algum proletariado da Câmara da Chamusca causa inveja a muita gente. É próprio da nossa condição lusitana. Não podemos ver um pobre com uma camisa lavada. E lá vieram os políticos da oposição criticar os gastos que representam tanta hora extra nos depauperados cofres da autarquia, chegando mesmo a insinuar-se que alguns trabalhadores ganhavam horas extra a dormir no serviço. Como é possível alguém se lembrar de uma maldade dessas?E com esta interrogação indignada me vou, enviando saudações proletárias do Serafim das Neves

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