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A empresária de restauração que queria ter sido militar

A empresária de restauração que queria ter sido militar

Carla Faria gere uma churrasqueira em Alcoentre no concelho de Azambuja

A crise financeira não assusta Carla Faria, empresária que abriu há três semanas uma churrasqueira em Alcoentre, concelho de Azambuja. Diz que nada se faz sem trabalho e espera uma boa adesão da população. Viveu em França mas não resistiu a voltar a Portugal. O seu sonho era ter sido militar do exército português.

Edição de 06.07.2011 | Identidade Profissional
Alinhar ao lado dos militares do exército português era a profissão de sonho de Carla Susana Faria, 37 anos, natural de Lisboa mas a viver perto de Alcoentre, concelho de Azambuja. A empresária gostava de ter sido militar mas a vida não o permitiu. Não baixou os braços à luta e para provar que há negócios que ainda resistem à crise decidiu abrir no dia 15 de Junho uma churrasqueira em Alcoentre, a “Pina Manique”.O seu percurso profissional começou a traçar-se quando ainda era jovem. Frequentou a escola primária no Cercal, concelho do Cadaval, até aos 11 anos, altura em que foi com os pais para França.“A vida era dura por cá e os meus pais foram para Paris. Eu fui também. Foi uma experiência diferente, ir para um país onde não sabia falar a língua. Mas quando se está na escola aprende-se rápido. Toda a gente queria ser meu amigo porque vinha de um país que eles não conheciam. E ajudaram-me muito ao nível da fala”, recorda. Carla garante que ao fim de três meses já dominava a língua francesa. “As crianças aprendem depressa”, diz com um sorriso. Passar a juventude em Paris marcou-a até hoje. “Acabou por ser muito gratificante e uma boa experiência”, refere. Até aos 16 anos estudou na cidade luz, tendo ingressado mais tarde num curso de hotelaria que, ainda hoje, está na base da sua profissão. “Em três dias de escola eu tinha dois que eram passados a trabalhar num restaurante, num estágio curricular”, refere. O seu primeiro emprego acabou por estar ligado à profissão que aprendeu na escola. Entrou como empregada de mesa numa marisqueira, um trabalho que era desgastante e onde se trabalhavam longas horas por dia. “Cheguei a fazer mais de 12 horas por dia. Mas aprendi muito e ganhei algum dinheiro nessa altura, foi muito bom”, explica. Aos 26 anos decidiu dar um rumo à sua vida e adquiriu uma churrasqueira em Paris que estava a precisar de restauro.“Juntei uns trocos e comprei uma churrasqueira na cidade que estava em muito mau estado. Como sozinha não ia conseguir fazer nada daquilo pedi ajuda a uns amigos de Paris que me ajudaram a meter tudo como novo e em condições de vender novamente. Foi lá que montei o meu próprio restaurante, foi uma grande experiência”, revela.Trabalhava ainda mais no seu restaurante do que na marisqueira mas “compensava porque não tinha de dar dinheiro aos patrões”. O negócio correu bem e a vida de Carla parecia no rumo certo. “Mas depois comecei a ficar cansada e recebi uma proposta para vender a churrasqueira. Eu habitava a 30 quilómetros do trabalho e para chegar lá perdia duas horas nos transportes. Era um caos. Já estava muito cansada e decidi vender. Estive um ano sem fazer nada e como tinha amealhado algum dinheiro decidi regressar a Portugal”, conta. Carla voltaria em Outubro de 2010 e pensou abrir negócio em Alcoentre. “Queria abrir uma loja de roupas mas acabei por me dedicar à churrasqueira. É o trabalho que sempre conheci e fica perto da minha casa”, refere.No seu dia-a-dia Carla atende os clientes e trata de tudo o que é preciso ser feito no estabelecimento. “Vendemos comida para fora e temos espaço para almoços também. Todos os dias temos carnes grelhadas e um prato do dia, que varia”, explica. Na opinião da empresária, este era um negócio que faltava em Alcoentre e espera atrair clientes de outras localidades próximas. “Toda a gente precisa de comer e por isso espero que as pessoas adiram e que o negócio funcione bem”, refere. Ter ido para França ainda nova não lhe permitiu seguir a carreira militar que ambicionava. “Gostava mesmo de ter entrado no exército. Não é que não goste de fazer isto, porque dá-me imenso gozo, mas o meu sonho era ter sido militar”, conclui.
A empresária de restauração que queria ter sido militar

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