uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
30 anos do jornal o Mirante
As mãos que colocam o pão fresco entre as flores de papel

As mãos que colocam o pão fresco entre as flores de papel

Junta de freguesia de São João Baptista gastou dois mil euros em encomendas de pão que, após ser benzido, serve para recordação
Edição de 06.07.2011 | Sociedade
O odor a pão acabado de fazer emanava por toda a sede da Junta de São João Baptista, na noite de sexta-feira, 1 de Julho. Um grupo de voluntários, entre os quais o próprio presidente da junta, Augusto Barros, dedicava-se afincadamente, em sistema de linha de montagem, a fazer os últimos seis tabuleiros de um conjunto de 110 que vão desfilar no cortejo principal da Festa dos Tabuleiros na tarde de domingo, 10 de Julho. Depositados em cestos de plástico cinzentos, dezenas de pães de centeio de fabrico caseiro, cozidos na Padaria Combatente, com porta aberta a poucos metros do local, estavam preparados para ser espetados nas seis canas já fixadas em cestos de vime. Por norma, cada pão pesa 300 a 400 gramas e cada cesto leva trinta pães. Contas feitas, no total são 1300 pães que vão adornar os tabuleiros representados por esta freguesia, uma das dezasseis do concelho. Um investimento de dois mil euros apenas em pão, que sai directamente dos cofres da junta. O pão que sobra ou que se parte é distribuído pelos voluntários e serve para a ceia ou pequeno-almoço de quem trabalha. De acordo com Augusto Barros, a quantidade de pães era encomendada consoante o número de tabuleiros previstos para fazer nessa noite. Isto porque se ficar rijo demais, a tarefa de enfiar o pão nas canas é, obviamente, dificultada. Antes de ser enfiado nas canas é furado para não se partir. Irene Alves, voluntária, explica que o pão não leva nenhum ingrediente em especial e que se mantém bonito até ao dia do desfile, não ganhando bolor com facilidade. “As senhoras que andam a ensaiar, levam tabuleiros de há quatro anos e ainda apresentam pão”, refere. “Este pão, depois de benzido, serve para oferecer. Há quem compre o tabuleiro e fique com o pão como recordação”, explica Augusto Barros sempre a trabalhar. Aprendeu a montar tabuleiros há mais de trinta anos. Agora cabe-lhe ensinar aos outros. A colocação do pão no tabuleiro é apenas um dos muitos passos para a execução dos tabuleiros de pão e flores (ver caixa) que as suas mãos sabem de cor e salteado.A “receita” do Tabuleiro da FestaFixam-se cinco canas ao cesto de vime e espetam-se os pães nas diferentes canas. Cada tabuleiro tem em média seis canas, cada cana leva cinco pães, totalizando 30 pães. Depois coloca-se a coroa, que é atada às canas, juntando desta forma o pão colocado e que ainda fica mais firme quando se colocam pequenos pedaços de cana entre as duas hastes. As flores são, por norma, colocadas no dia seguinte. Primeiro, colocam-se cinco arames desde a coroa até ao cesto que servem de base às hastes. O segredo para que o tabuleiro fique bonito passa por fixar bem as hastes de flores aos arames, de modo a que estes fiquem completamente cobertos de vegetação ou flores, sempre de papel. O passo final passa pela colocação da pomba, símbolo do Espírito Santo ou da Cruz de Cristo, símbolo da ordem que se ligou a Tomar pela sua presença no convento. Cada tabuleiro pesa em média 15 quilos e deve ter a altura da rapariga ou senhora que o transporta.
As mãos que colocam o pão fresco entre as flores de papel

Comentários

Mais Notícias

    A carregar...