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PJ leva cópia do disco rígido e extractos bancários do presidente da Câmara de Benavente

PJ leva cópia do disco rígido e extractos bancários do presidente da Câmara de Benavente

Vereador do urbanismo Miguel Cardia colocou o lugar à disposição depois de ter sido constituído arguido. Visita da PJ a faz mossa na classe politíca

A Polícia Judiciária vasculhou a Câmara Municipal de Benavente no âmbito de uma investigação sobre alegados crimes de corrupção e tráfico de influências, o que já levou à constituição de cinco arguidos. Do gabinete do presidente, António José Ganhão, foi levada uma cópia do disco rígido do computador e da sua casa dois extractos bancários.

Edição de 06.07.2011 | Sociedade
Uma cópia do disco rígido do computador pessoal do presidente da Câmara Municipal de Benavente, António José Ganhão (CDU), e dois extractos bancários foi o que os inspectores da Polícia Judiciária (PJ) levaram do gabinete e da casa do autarca, no âmbito das buscas realizadas quarta-feira, 29 de Junho.A PJ procurou documentos que servissem de prova ao inquérito que corre no Ministério Público de Benavente por alegados crimes de corrupção, favorecimento pessoal e tráfico de influências. Nas buscas à câmara municipal os agentes encontraram um cofre contendo duas armas de fogo, que o autarca garante serem propriedade do município “desde o tempo do anterior presidente”, pelo que a PJ não as apreendeu. A Judiciária passou também a pente fino o departamento de obras da autarquia, de onde levou diversos processos. O gabinete e a casa do vereador com o pelouro do urbanismo, Miguel Cardia, também foram alvo de buscas pela polícia. Neste último não foram feitas apreensões. As buscas da PJ levaram à constituição de cinco arguidos. Três ficaram detidos nas instalações da PJ em Lisboa até serem ouvidos por um juiz de instrução do tribunal de Vila Franca de Xira. Saíram em liberdade com cauções de quase 45 mil euros, a proibição de se ausentarem do país, comunicarem entre si e a obrigação de se apresentarem semanalmente às autoridades. Trata-se do ex-presidente da Junta de Freguesia de Santo Estêvão, Daniel Ferreira (PS), Tiago Gallego, um empresário ligado ao ramo do imobiliário, e ainda um engenheiro civil que trabalhou em projectos de empresas ligadas ao empresário. António Ganhão e Miguel Cardia, que também foram constituídos arguidos, não foram detidos e ficaram apenas com termo de identidade e residência. Depois de saber que tinha sido constituído arguido o vereador com o pelouro do urbanismo, Miguel Cardia, colocou o lugar à disposição mas a intenção foi recusada por António Ganhão.As buscas da PJ têm por base um caso que remonta a Abril de 2009, quando foi feita por Fernando Marques, morador na freguesia de Santo Estêvão, uma denúncia no Ministério Público por alegados favorecimentos na câmara municipal. O queixoso tinha começado a construção de um barracão em zona de Reserva Agrícola Nacional (REN) e a obra foi embargada pela câmara. Fernando Marques não parou a obra e a câmara municipal deu ordem de demolição, o que o proprietário não acatou. Mais tarde Fernando Marques reuniu-se com o presidente do município e alegadamente terá afirmado que tinha autorização do então presidente da Junta de Freguesia, Daniel Ferreira, para ter o barracão de pé e pediu a legalização da obra, o que lhe foi recusado por António Ganhão. O queixoso avançou para o Ministério Público e denunciou a existência de outras edificações em REN que não tiveram ordem de demolição. Casos de uma boxe de cavalos numa propriedade de Tiago Gallego e de uma moradia na Mata do Duque. Uma delas estava em zona legalizável. A outra aguarda demolição. “Todo o dinheiro que tenho é fruto do meu trabalho. Tenho uma conta onde deposito o meu vencimento e outra onde coloco a minha aposentação. Nunca participei em negócios”, afiança António José Ganhão a O MIRANTE. Na última reunião pública do executivo o autarca foi questionado pelos vereadores da oposição sobre o caso e emocionou-se. “Só espero ter o tempo de vida necessário, porque a justiça é morosa, não só para limpar o meu nome mas também para limpar o nome da câmara municipal desta sujeira. A indignação é maior que o peito, tenho dormido todos os dias com isto mas saberei ter força suficiente para aguentar e responsabilizar quem causou todo este embaraço”, disse, garantindo estar inocente. António José Ganhão, recorde-se, está a lutar contra uma doença do foro oncológico.
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