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Se o toureio é como um bailado a mulher pode estar no centro da festa

Se o toureio é como um bailado a mulher pode estar no centro da festa

Protagonistas da festa estiveram em Vila Franca para debater o papel feminino

A mulher teve sempre dificuldade em tornar-se protagonista da Festa Brava mas existem exemplos que contrariam a regra. A matadora de toiros Cristina Sanchez retirou-se do meio desiludida com os meandros da festa. Fora das arenas a presença das mulheres, como ganaderas ou empresárias, por exemplo, já é mais facilitada.

Edição de 06.07.2011 | Sociedade
O toureio tem muito de feminino e a sensibilidade característica das mulheres é uma mais-valia para que “elas” possam triunfar dentro e fora da arena. Algumas mulheres quiseram ir mais além assumindo o papel de protagonistas, mais do que meras espectadoras, numa festa onde o homem sempre foi o rei. A matadora de toiros Cristina Sanchez, a cirurgiã taurina Beatriz Montejo, a ganadera Maria José Coballeda e a apoderada e empresária Teresa Ojeda reuniram-se na terça-feira na Câmara Municipal de Vila Franca de Xira para debater o tema “A Mulher e a Festa”. As cadeiras colocadas no salão nobre da câmara não chegaram para acolher tantos espectadores, muitos ligados à tauromaquia na região. “O toureio é uma espécie de bailado e por isso tem muito de feminino. Embora soubesse que estava num mundo de homens nunca deixei a minha condição de mulher. Em frente de um toiro sou um toureiro embora na alma possa ser um homem ou uma mulher”, contou a matadora de toiros, Cristina Sanchez (a primeira na foto da direita para a esquerda), de olhar tímido, que esteve sempre no centro das atenções. Encontrou mais dificuldades na profissão do que estava à espera, tendo-se retirado em 1999 por “desilusão” quando já tinha conquistado o mundo. “Gostaria de ter permanecido mais três ou quatro temporadas. Acabei por desistir mais por desilusão e não tanto porque os outros toureiros não queriam entrar no meu cartel. Quanto mais coisas se conquistam na vida mais complicações vão surgindo”, garantiu a mulher que toureou em todas as praças do mundo, tendo saído muitas vezes em ombros. Cristina Sanchez acha que a mulher não pode estar sempre a defender-se, mas deve “colocar as cartas em cima da mesa e mostrar aquilo que vale porque na profissão de toureiro tudo é difícil”. Mário Coelho, presente no público, considerou que a matadora de toiros tem um lugar na história da tauromaquia, não existindo mais nenhuma que lhe tenha chegado aos calcanhares. Por sua vez Teresa Ojeda revelou que como empresária nunca se sentiu colocada de parte, mas como apoderada de uma mulher novilheira encontra ainda muitas resistências. “Não consigo que a contratem para actuar em Praças de Toiros por ser mulher”. A empresária vê algumas mulheres dentro das arenas a assumirem alguma masculinidade mas poucas. “Encontro muitas toureiras que são extremamente femininas e as mulheres levam sempre alguma vantagem porque podem usar a sensibilidade para demonstrar a arte”. Maria José Coballeda considera que na profissão de ganadero não existem distinções entre os sexos. “Se um toiro for bravo compram. Quer me chame Maria José ou José Maria”, referiu, recebendo fortes aplausos do público. Houve ainda oportunidade para o Coronel José Henriques contar alguns dos mais belos romances entre os toureiros, esposas e amantes. A presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Maria da Luz Rosinha, traçou o percurso das mulheres na história do toureio, terminando com o exemplo de Ana Maria d’Azambuja, que chegou a ser considerada a grande revelação do toureio a pé, mas acabou por abandonar a profissão devido às inúmeras pressões que sofreu dentro da arena por ser mulher, como contou em entrevista a O MIRANTE. É importante recordar as palavras de Cristina Sanchez sobre a sua alternativa. “O maestro disse-me que o toureio é uma forma de amar e que as mulheres sabem amar muito bem e por isso estava convencido que teria muita sorte no mundo dos toiros”. Um pequeno poema de uma mulher que compara o toureio a um bailado, onde os homens continuam a não querer mais nenhum par além do toiro. Elas estão aí e se alguém ainda pensa que as mulheres pretendem assumir o papel dos homens dentro e fora das arenas basta reparar na beleza e feminilidade que as oradoras irradiaram na noite de 28 de Julho.
Se o toureio é como um bailado a mulher pode estar no centro da festa

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