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Furunfunfónico Serafim das Neves

Edição de 13.07.2011 | E-mails do outro mundo
Essa coisa do Moita Flores chamar vadios aos que insistem em falar nas dívidas da câmara de Santarém e de lançar um livro chamado “A opereta dos Vadios” sobre um país falido remete para um subconsciente egocêntrico. E quando ele diz aos presidentes de Junta para acabarem com a “mariquice política” em que estará a pensar? Num livro sobre autarcas gay? Hum...um dia destes o homem ganha o Nobel. Se não for o da Academia Sueca, pelo menos o da literatura de Supermercado que, cá para mim até é superior ao outro. A câmara municipal de Almeirim meteu-se em trabalhos ao arrancar a Boca de Incêndio que abastecia as famílias ciganas que vivem no acampamento da zona industrial. Se a câmara de Rio Maior levou nas orelhas do Centro Europeu dos Direitos dos Ciganos (CEDC) por não lhes ter dado apartamentos com ar condicionado e televisão por cabo, imagina a tareia que estes vão levar. E não vai ser só do Centro dos Direitos dos Ciganos. Vai cair por lá o Carmo e a Trindade com associações de defesa de tudo e mais alguma coisa. Eu próprio estou disposto a ir até à porta da câmara protestar.Aquilo não é só chegar ali e cortar a água. É preciso criar alternativas, como se diz na terminologia técnico-autárquica. A câmara de Almeirim ou a empresa Águas do Ribatejo, dispuseram-se a fazer ramais de abastecimento de água para as barracas e a colocar contadores? Que eu saiba não. Ora, se não o fizeram, como podem impedir que as pessoas daquele bairro usem a água da rede sem pagar? Quanto muito podia ter posto um contador e uma torneira na Boca de Incêndio, não é verdade? Depois era aplicar a taxa para famílias carenciadas e descontar no Rendimento de Inserção. A coisa até podia ser feita com recurso ao débito directo. Mas há mais. Esses espíritos críticos que se apressaram a aplaudir a medida repressiva dizendo que o pessoal gastava muita água, já pensaram bem no que estão a dizer? Sabem quantas mulheres do acampamento tomavam regularmente banhos de imersão? Quanto tempo passavam os homens no duche? Quantas máquinas de lavar loiça e roupa existem por lá? Quantos jardins relvados a necessitar de rega diária há em frente das barracas? Pois é meus caros. Antes de abrirem essas bocas maldizentes era melhor terem ido ao terreno, como dizia um ex-camarada nosso, pessoa dotada de enorme sentido prático. Serafim, o que me dizes do arrojo das “Monjas de Belém” que vão para o Couço, no concelho de Coruche, terra tradicionalmente considerada comunista? Eu fiquei espantado com o que li. Para além da perspectiva histórica da conversão da populaça, tarefa só comparável à conversão da Rússia ainda a decorrer sob a égide de Nossa Senhora de Fátima, as monjas vão receber turistas no convento. Começam com trinta camas mas poderão vir a alargar a oferta se houver boa receptividade. Pela minha parte vão poer clientes, garanto-te. Estar no campo, rodeado de monjas, sem as colunas do miúdo mais velho dos meus vizinhos a debitar música em altos berros nem a minha sogra a meter-se na minha vida, vai ser como estar no céu. Finalmente uma nota de solidariedade para com aquele bebé que nasceu na sanita. É um mau começo de vida, eu sei. Mas na situação em que o país está o petiz não poderá dizer mais tarde que o destino não o avisou dos perigos que corria se insistisse em crescer e viver em Portugal.Um abraço cheio de rating Manuel Serra d’Aire

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