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Câmara acusada de assediar bombeiros para mudarem de corporação

Câmara acusada de assediar bombeiros para mudarem de corporação

Comandante dos Bombeiros Municipais e vereador da Protecção Civil desmentem essa argumentação

Em causa está contratação de elementos dos bombeiros voluntários para os bombeiros municipais. “A Câmara de Santarém tem vindo a servir-se da formação que damos aos nossos bombeiros, afirma o presidente dos BVS.

Edição de 13.07.2011 | Sociedade
O comandante dos Bombeiros Municipais de Santarém e o vereador da Câmara de Santarém com o pelouro da Protecção Civil negam que tenha havido qualquer assédio a elementos dos Bombeiros Voluntários de Santarém (BVS) para integrarem a corporação municipal. A saída recente de um elemento dos BVS para os Bombeiros Municipais e a possível saída de mais dois que responderam ao concurso para contratação de novos bombeiros aberto pela autarquia fez transbordar o copo.O presidente da direcção dos BVS afirmou ao nosso jornal que iria participar à tutela pelo facto de um elemento que ainda fazia parte do quadro da sua corporação já estar ao serviço dos Bombeiros Municipais. “A Câmara de Santarém tem vindo a servir-se da formação que damos aos nossos bombeiros, afirma Diamantino Duarte, adiantando que não se opõe a transferências desde que se sigam os trâmites normais, com conversas prévias entre as entidades. “Acho muito mal que haja esse aliciamento a bombeiros que ainda estão ao serviço”, acrescenta, lembrando que a formação de bombeiros é dispendiosa.Nuno Oliveira, comandante dos Bombeiros Municipais de Santarém, rebate esses argumentos dizendo que o bombeiro voluntário que se transferiu estava desempregado e que, estando inscrito no Centro de Emprego, foi colocado na sua corporação ao abrigo dos chamados Programas Ocupacionais que possibilitam à entidade contratante pagar apenas 20 por cento do salário e os subsídios de refeição.O comandante dos Bombeiros Municipais garante que contactou os BVS e que, face à recusa destes em permitirem a transferência desse elemento, pediu a intervenção do comandante distrital de operações e socorro, que tem poder de decisão sobre essa matéria, tendo obtido permissão para a contratação. “Se esse elemento está no desemprego nem sequer pode recusar a oferta de emprego”, frisa Nuno Oliveira. Adianta que não quer guerras entre as duas instituições e lembra que também os BVS receberam vários elementos dos municipais no ano passado, quando se acabou com o pagamento de horas extra aos voluntários que prestavam serviço nos bombeiros municipais.Também o vereador da Protecção Civil, António Valente (PSD), desvaloriza a situação, confirmando no entanto que outros dois elementos dos Bombeiros Voluntários de Santarém concorreram ao concurso para admissão de novos elementos nos municipais, que se encontra a decorrer. Voluntários mostram serviçoNo primeiro semestre de 2011, os Bombeiros Voluntários de Santarém acorreram a 802 emergências pré-hospitalares, a 1.867 transportes de doentes, a 45 acidentes com transportes e a 37 incêndios, entre outras ocorrências. “São números que não podem de forma alguma ser ignorados e que revelam a importância do serviço prestado, tudo isto graças ao empenho e dedicação dos voluntários e profissionais que integram este corpo de bombeiros”, afirma o comandante dos BVS, Paulo Domingos dos Santos em comunicado.O actual quadro dos BVS conta com dois elementos no comando, 42 bombeiros mais 27 recrutas no quadro activo, 2 bombeiros no quadro de reserva e 32 crianças no quadro de infantes. “Estamos ao serviço da população há 140 anos e, apesar de todas as dificuldades, prevaleceremos ao serviço da comunidade escalabitana”, lê-se no mesmo comunicado.Mais uma polémicaRecorde-se que a autarquia e os BVS estiveram recentemente envolvidos noutra polémica, devido à elevada dívida (cerca de 150 mil euros) que o município tem para com a associação humanitária. Na última sessão da assembleia municipal, o presidente da câmara, Moita Flores (PSD), acusou o PS e o PCP de fazerem dos Bombeiros Voluntários de Santarém “uma base” para o combate político contra a sua gestão.Na resposta, Diamantino Duarte, que é militante e ex-autarca do PS, disse a O MIRANTE que “o presidente da Câmara de Santarém é que tem feito combate político ao presidente dos Bombeiros Voluntários de Santarém” e acrescentou que se a autarquia cumprisse as suas obrigações estas polémicas não existiriam.
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