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Há cada vez mais gente a querer comprar em vida um lugar para ocupar no cemitério

Há cada vez mais gente a querer comprar em vida um lugar para ocupar no cemitério

Procura de campas tem aumentado em Benavente e Azambuja

São cada vez mais as pessoas que ainda em via querem comprar a campa que vão ocupar no cemitério. Em Azambuja e Benavente isso já não é possível por questões de espaço. Autarquias temem ficar sem espaço para quem realmente precisa.

Edição de 13.07.2011 | Sociedade
A ideia de comprar uma campa ainda em vida passou pela mente de Arlete Cunha, 84 anos, mas acabou por cair por terra quando soube que a Junta de Freguesia de Benavente já não permitia esse tipo de aquisição. “Gostava de ter aqui o meu cantinho para o ir arranjando à minha maneira. Sempre fui uma pessoa que gosta de decidir o que fazer e detestaria ter de ver outras pessoas a decidir por mim”, justifica a O MIRANTE Arlete Cunha que continua a visitar o cemitério para levar flores à campa do marido e do filho. Em Benavente, tal como em Azambuja, está a aumentar o número de pessoas que querem comprar ainda em vida as campas que irão ocupar no cemitério. A opção deixou de ser possível sob pena dos cemitérios ficarem sem espaço para quem realmente precisa de ser enterrado.“Temos muita gente que nos procura e que quer comprar em vida as campas para quando morrer. Até podíamos ter criado uma lista de espera mas entendemos que não o devíamos fazer. Antigamente concessionávamos as campas em vida mas depois deixámos de o fazer por uma questão de espaço. Ainda hoje temos campas no nosso cemitério que têm pedra mármore colocada mas não têm ninguém sepultado porque as pessoas ainda não morreram”, revela a presidente da Junta de Freguesia de Benavente, Leonor Parracho (CDU), a O MIRANTE. Quem também já tem campa no cemitério da vila é Maria Amélia Jesus. “Comprei porque o meu marido já se encontra sepultado aqui”, justifica. No cemitério da sede de concelho uma campa custa entre 380 e 850 euros“Para muita gente faz sentido comprar a campa em vida porque a morte é o que temos de mais certo. É um investimento e muita gente quer comprar para poder decidir em que zona do cemitério quer ficar, seja próximo de familiares ou na zona alta do cemitério. Há pessoas que planeiam todas essas situações”, opina Teodora Friezas. Para o coveiro do cemitério de Benavente, José Feijoca, a proibição de venda das campas em vida chegou em boa hora. “Durante uns 20 anos deixavam as pessoas comprar as campas mas depois acabaram com isso por falta de espaço. As pessoas acham que se não arranjassem e preparassem as coisas para a morte os mais novos não queriam saber disso. Acho que essa preocupação não faz grande sentido. Todos teremos aqui um espaço em qualquer altura”, defende.Em Azambuja o cenário é idêntico. O vereador da Câmara Municipal de Azambuja, Silvino Lúcio, explica que as únicas excepções são os jazigos porque implicam a entrega de um projecto nos serviços municipais que depois carece de uma aprovação de construção, o que demora tempo. “Não vendemos campas em vida. De outra forma ficaríamos sem espaço para as pessoas que entretanto morressem. Durante muitos anos venderam-se campas em vida mas penso que isso não se justificava”, refere. Em Azambuja uma campa ronda os 1000 euros. O nosso jornal contactou a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira que se limitou a garantir que a venda de campas em vida “não é possível”, sem contudo confirmar se a procura destes espaços tem aumentado no concelho.Azambuja tem novo cemitério para substituir antigo que está quase esgotadoA vila de Azambuja tem o actual cemitério quase esgotado e segundo Silvino Lúcio, vereador da Câmara Municipal, o mesmo não deverá ser ampliado, já que a freguesia tem um novo cemitério na periferia da vila que nunca foi usado. “Quando o actual cemitério estiver completo vai passar a usar-se o novo espaço”, garante. Actualmente a autarquia depara-se também com o problema da falta de registos antigos sobre quem está sepultado. Já na vila de Benavente, onde morrem perto de 100 pessoas por ano, a presidente da Junta de Freguesia, Leonor Parracho, estima que ainda exista ainda espaço suficiente para os próximos seis a oito anos antes do cemitério necessitar de obras de ampliação.
Há cada vez mais gente a querer comprar em vida um lugar para ocupar no cemitério

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